Um negócio sem governança pode ter prazo de validade. É o entendimento atual do mercado sobre o conjunto de práticas que sustentam o crescimento de empresas de todos os portes, atraem investidores e orientam a sucessão nas de controle familiar.
O tema foi debatido no Seminário de Finanças e Governança do Capítulo Ceará do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), nesta quinta-feira (29), em Fortaleza.
Na ocasião, cases de negócios familiares cearenses mostraram como as famílias empresárias podem fortalecer as companhias, preparar as novas gerações e ampliar o impacto na sociedade.
A coordenadora-geral do Capítulo Ceará do IBGC, Renata Santiago, afirma que ter clareza sobre o conceito de governança ajuda na manutenção e no sucesso dos negócios.
"São diversas práticas que ajudam na gestão do negócio, que trabalham pela perpetuidade e também pela melhoria da performance. Muita gente acha que governança não tem a ver com gestão, mas são várias práticas de transparência, responsabilização e equidade que reverberam para o negócio", explica.
Santiago observa que a governança é adaptável a tamanhos e modelos de negócio diferentes, de acordo com a necessidade de cada um.
"Isso começa na pequena empresa, que não necessariamente tem as práticas de governança de grupos maiores e até de multinacionais, porque cada negócio tem as melhores práticas para si. Isso deve ser aplicado em todas as gerações, enquanto o negócio existir", completa.
Para a coordenadora, a principal característica da governança em negócios familiares deve ser a transparência.
O presidente do Conselho de Administração do IBGC, Antônio Bizzo, acrescenta que a governança é tão fundamental em empresas familiares quanto em multinacionais.
"É basicamente a senha para o crescimento sustentável de longo prazo. À medida que a empresa familiar cresce, fica sempre muito confuso dividir a empresa da família. É praticamente impossível uma empresa familiar sobreviver no tempo e se expandir sem governança", frisa.
Bizzo afirma que a governança busca conciliar perspectivas de cultura organizacional e manutenção do legado.
"Quanto mais cedo se fizer isso, mais fácil será e menos conflito haverá. É melhor buscar alternativas e equações corretas desde já do que deixar para resolver lá na frente, com uma crise na família e problemas financeiros", orienta.
Empresa familiar cearense dá lição de governança
Um dos principais exemplos apresentados no seminário foi o do grupo cearense Alyne Cosméticos, fundado há 40 anos por Paulo Gurgel. A empresa leva o nome da filha mais velha do empresário, Alyne Gurgel, hoje diretora financeiro-administrativa do grupo.
"Crescemos junto com o negócio, a empresa é praticamente nossa irmã mais nova. A base de valores que o meu pai desenvolveu em nós foi o que nos deu tanto amor pelo negócio. Durante muito tempo, o negócio sustentou a família. Hoje, a família serve a esse negócio", diz Alyne.
Os três irmãos, Alyne, Adriana e Raul, integram o comitê de administração do grupo. O pai, Paulo, continua na presidência.
A sucessão já está definida: Raul, atual diretor executivo, assumirá o cargo hoje ocupado pelo pai. Adriana é diretora de marketing e de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da companhia.
"Sempre foi muito claro para nós (Alyne e Adriana) quais seriam essas posições", destaca. Para Santiago, o grupo já aplica a governança na prática ao descentralizar funções que estavam reunidas apenas na figura de Paulo Gurgel.
"Montam-se estruturas que deixam de depender de uma única pessoa. Geralmente as empresas crescem dependendo de uma só pessoa, e isso é humanamente impossível. Montam-se estruturas que alicerçam o crescimento desses negócios", esclarece.