Governança decide sobrevivência de empresas familiares, aponta IBGC

O tema foi debatido no Seminário de Finanças e Governança do Capítulo Ceará do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), nesta quinta-feira (29), em Fortaleza.

Escrito por Luciano Rodrigues luciano.rodrigues@svm.com.br
30 de Outubro de 2026 - 07:00
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Legenda: Seminário IBGC Capítulo Ceará discutiu governança corporativa em negócios familiares no Estado.
Foto: Alex Ferreira.Phocart Produções/Divulgação.

Um negócio sem governança pode ter prazo de validade. É o entendimento atual do mercado sobre o conjunto de práticas que sustentam o crescimento de empresas de todos os portes, atraem investidores e orientam a sucessão nas de controle familiar.

O tema foi debatido no Seminário de Finanças e Governança do Capítulo Ceará do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), nesta quinta-feira (29), em Fortaleza.

Na ocasião, cases de negócios familiares cearenses mostraram como as famílias empresárias podem fortalecer as companhias, preparar as novas gerações e ampliar o impacto na sociedade.

A coordenadora-geral do Capítulo Ceará do IBGC, Renata Santiago, afirma que ter clareza sobre o conceito de governança ajuda na manutenção e no sucesso dos negócios.

"São diversas práticas que ajudam na gestão do negócio, que trabalham pela perpetuidade e também pela melhoria da performance. Muita gente acha que governança não tem a ver com gestão, mas são várias práticas de transparência, responsabilização e equidade que reverberam para o negócio", explica.

Santiago observa que a governança é adaptável a tamanhos e modelos de negócio diferentes, de acordo com a necessidade de cada um.

"Isso começa na pequena empresa, que não necessariamente tem as práticas de governança de grupos maiores e até de multinacionais, porque cada negócio tem as melhores práticas para si. Isso deve ser aplicado em todas as gerações, enquanto o negócio existir", completa.
Renata Santiago
Coordenadora-geral do Capítulo Ceará do IBGC

Para a coordenadora, a principal característica da governança em negócios familiares deve ser a transparência.

O presidente do Conselho de Administração do IBGC, Antônio Bizzo, acrescenta que a governança é tão fundamental em empresas familiares quanto em multinacionais.

"É basicamente a senha para o crescimento sustentável de longo prazo. À medida que a empresa familiar cresce, fica sempre muito confuso dividir a empresa da família. É praticamente impossível uma empresa familiar sobreviver no tempo e se expandir sem governança", frisa. 

Bizzo afirma que a governança busca conciliar perspectivas de cultura organizacional e manutenção do legado.

"Quanto mais cedo se fizer isso, mais fácil será e menos conflito haverá. É melhor buscar alternativas e equações corretas desde já do que deixar para resolver lá na frente, com uma crise na família e problemas financeiros", orienta.

Empresa familiar cearense dá lição de governança

Um dos principais exemplos apresentados no seminário foi o do grupo cearense Alyne Cosméticos, fundado há 40 anos por Paulo Gurgel. A empresa leva o nome da filha mais velha do empresário, Alyne Gurgel, hoje diretora financeiro-administrativa do grupo.

"Crescemos junto com o negócio, a empresa é praticamente nossa irmã mais nova. A base de valores que o meu pai desenvolveu em nós foi o que nos deu tanto amor pelo negócio. Durante muito tempo, o negócio sustentou a família. Hoje, a família serve a esse negócio", diz Alyne.

Os três irmãos, Alyne, Adriana e Raul, integram o comitê de administração do grupo. O pai, Paulo, continua na presidência.

A sucessão já está definida: Raul, atual diretor executivo, assumirá o cargo hoje ocupado pelo pai. Adriana é diretora de marketing e de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da companhia.

"Sempre foi muito claro para nós (Alyne e Adriana) quais seriam essas posições", destaca. Para Santiago, o grupo já aplica a governança na prática ao descentralizar funções que estavam reunidas apenas na figura de Paulo Gurgel.

"Montam-se estruturas que deixam de depender de uma única pessoa. Geralmente as empresas crescem dependendo de uma só pessoa, e isso é humanamente impossível. Montam-se estruturas que alicerçam o crescimento desses negócios", esclarece.

 

 

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