Fortaleza passa por um boom dos chamados superprédios (acima de 100 metros), e a tendência deve seguir pelos próximos anos. É o que mostra levantamento de setembro do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), feito a pedido do Diário do Nordeste.
Segundo os dados, até 2030, serão construídos mais 20 superprédios na Capital, com unidades custando entre R$ 500 mil e R$ 20 milhões.
Os empreendimentos se concentram nas localidades Meireles (11), Beira-Mar (4), Aldeota (2), Varjota (1), Mucuripe (1) e Cocó (1).
Ainda de acordo com o levantamento, Fortaleza já conta com quatro superprédios, sendo três localizados no bairro Meireles e um no Mucuripe. Os valores unitários variam entre R$ 2 milhões e R$ 10 milhões.
Ao todo, 11 construtoras são responsáveis pelos empreendimentos.
Fortaleza recebe mais quatro superprédios já em 2026
Só neste ano, está prevista a entrega de quatro superprédios em Fortaleza, sendo dois na Beira-Mar, um no Mucuripe e outro na Varjota. Os valores variam entre R$ 3 milhões e R$ 14 milhões.
Para os próximos anos, a previsão é de seis entregas em 2027, duas em 2028, duas em 2029 e seis em 2030.
Dos 20 empreendimentos totais, 11 já se encontram em obras, enquanto nove estão na planta.
O relatório ainda traz dois futuros lançamentos para os bairros Meireles e Aldeota, sem data de entrega prevista.
Superprédio mais alto chega a 172 metros
Entre os empreendimentos esperados, o mais alto tem 172,01 metros e ainda está na planta, com previsão de entrega para 2030 no bairro Meireles. O valor das unidades aparece entre R$ 9 milhões e R$ 16 milhões.
Atualmente, o maior empreendimento do tipo na Capital tem 166,42 metros, localizado no Mucuripe.
Já o superprédio com as unidades mais caras, entre R$ 18 milhões e R$ 20 milhões, está em obras e deve ser finalizado em 2027, na Beira-Mar.
Superprédios movimentam cadeia da construção e atraem investimentos
Na visão do especialista em investimentos Joel Freitas, os superprédios previstos para os próximos anos em Fortaleza mostram que o setor tem confiança no médio prazo e refletem a força da economia cearense, além de mostrar um mercado maduro, com credibilidade e capaz de atrair o comprador de alto padrão que antes buscava outras capitais.
“Eles (superprédios) projetam Fortaleza no cenário nacional, atraem investimentos e elevam o padrão de qualidade dos projetos, o que acaba influenciando outros segmentos do mercado. Também geram emprego e movimentam toda a cadeia da construção”, destaca.
Somado a isso, Joel indica que o avanço desses empreendimentos movimenta não só o mercado da construção civil e da indústria de materiais, mas também setores como arquitetura, decoração, automação e serviços de condomínio.
"E tem também o lado financeiro, porque uma compra desse porte pode movimentar crédito, consórcio e planejamento patrimonial. É uma engrenagem grande que gira", descreve.
Conforme explica, o público-alvo desses negócios são famílias de alta renda, compradores de outros estados e investidores que buscam proteger e ampliar o patrimônio.
Expansão de superprédios traz alerta para concentração e limite territorial em Fortaleza
Apesar do cenário de expansão, o especialista ressalta que a continuidade do crescimento do setor depende de diferentes fatores, como o cenário de juros, a renda das famílias e o planejamento urbano da cidade.
Para ele, um sinal de alerta é a concentração de vários empreendimentos parecidos em uma mesma área, disputando o mesmo comprador, o que pode dificultar a absorção do mercado.
Outro ponto de atenção levantado é a mobilidade. "Adensar um bairro sem pensar no trânsito cobra um preço depois", frisa.
Além disso, Joel salienta que as áreas mais valorizadas da cidade apresentam terrenos limitados, o que pode indicar uma futura expansão para novas regiões da Capital. Nesse sentido, ele cita o entorno do Parque do Cocó, o bairro Papicu, e a Praia do Futuro.
"Mas depende muito do que a legislação urbana vai permitir. O desafio daqui para frente é equilibrar a oferta com a demanda real de cada segmento”, aponta.