Por trás da necessidade de ampliação de galpões logísticos de líderes do varejo, como Amazon, Grupo Mateus e Assaí, se fortalecem as empresas de estruturas metálicas.
A cearense Projeart, protagonista no segmento no Nordeste, investiu R$ 60 milhões na expansão de sua operação em Eusébio, na Grande Fortaleza.
A empresa chegou a um faturamento de R$ 500 milhões e projeção de crescimento de 30% em 2026. O incremento no rendimento é sustentado por três frentes, sendo uma delas a entrada em operação da ProZinco.
O faturamento milionário no segmento de estruturas metálicas representa uma reviravolta para o negócio, que surgiu em 1993 como uma marcenaria para móveis residenciais e comerciais.
A guinada veio quando a empresa foi contratada para produzir os móveis da casa do dono da Grendene, gigante calçadista, quando se mudou para Fortaleza.
"A qualidade dos produtos impressionou tanto, que o Grupo contratou a Projeart para fazer um primeiro galpão da nova unidade em Sobral. No final, a Projeart acabou produzindo todos os prédios da nova fábrica", comenta Odmar.
A obra abriu caminho para que a cearense adentrasse no segmento, sem concorrência relevante no Norte e Nordeste, devido à concentração dos players em São Paulo.
INVESTIMENTO DE R$ 60 MILHÕES EM EUSÉBIO
O montante de R$ 60 milhões foi aplicado na ProZinco, expansão da empresa inaugurada em janeiro de 2026, com foco na galvanização a fogo (tecnologia que protege os materiais contra corrosão). É a maior operação desse tipo fora do Sudeste.
A planta tem capacidade de processamento de 4 mil toneladas de aço por mês e destrava um gargalo histórico na região. Até então, era preciso enviar as peças para galvanização em São Paulo, o que elevava os custos, segundo Odmar Feitosa, superintendente comercial do Grupo Projeart.
O principal foco da empresa é a produção de construções metálicas para galpões, prédios industriais e estruturas para pontes, passarelas e transportadoras.
Praticamente todos os projetos são desenvolvidos sob medida, com estruturação individual para o uso, cargas e condições ambientais do local. A customização em escala é viabilizada pela industrialização, segundo Odmar.
"A fábrica opera com perfiladeiras com tecnologia CNC de corte e furação, mesas de arco submerso e linhas de pintura eletrostática automática. O layout de toda a fábrica é voltado à produção em série sob princípios da Indústria 4.0", explica.
A empresa já executou 3.300 obras. O crescimento da capacidade acelerou após 2020, com a aquisição da empresa pelo Grupo AJA.
A operação atual contempla três unidades fabris, em mais de 130 mil metros quadrados, e envolve aproximadamente 800 trabalhadores.
O crescimento da demanda por projetos de alto rigor estético e técnico acompanha a transformação do varejo, já que o galpão muitas vezes não é apenas um depósito, e sim a própria loja.
No portfólio de clientes da Projeart estão Atadação, Assaí Atacadista, Ambev, Solar Coca-Cola, M. Dias Branco, SmartFit, Tramontina, entre outros. Já no segmento de condomínios logísticos, a cearense atende os principais desenvolvedores do país, como a Log e a CONE.
"Além disso, a nova linha de torres de telecomunicações, ligada à expansão do 5G e das linhas de transmissão. A terceira é a ampliação do portfólio com os porta-paletes, que permite atender o cliente de logística também dentro do galpão, e não apenas na estrutura", afirma Odmar Feitosa.
NOVA FÁBRICA PARA TORRES DE 5G E LINHAS DE TRANSMISSÃO
Está entre os planos da empresa cearense instalar uma fábrica dedicada a torres de telecomunicações e linhas de transmissão. O investimento ainda não foi definido.
O objetivo é formar um ecossistema complexo de soluções em aço e posicionar o Ceará como hub de galvanização e exportação.
A empresa também não descarta expansão para outros estados, que pode otimizar a logística para clientes do Centro-Oeste, considerando a preponderância dos custos de frete nos negócios.
Entre os desafios para manter o ciclo contínuo de investimentos estão a volatilidade do preço do aço, que pressiona a formação de preço em contratos longos, e o custo logístico no País.
"Outro ponto é a penetração ainda baixa do aço frente ao concreto em parte das obras brasileiras. Mas essa é menos uma lacuna, e sim a maior oportunidade do mercado, porque onde a construção industrializada entra, o ganho de prazo e previsibilidade é imediato", avalia.