Com 14 anos e dívida de R$ 60 mil, Budega do Raul em Fortaleza faz campanha para não fechar

Raquel Zurc é proprietária da Budega do Raul há 14 anos.

Escrito por Bergson Araujo Costa bergson.costa@svm.com.br
01 de Julho de 2026 - 21:16
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Legenda: Amigos de Raquel e verdadeiros fãs da Budega do Raul mobilizaram uma campanha para ajudar o bar a não fechar suas portas.
Foto: Arquivo pessoal.

“Se a Budega fechar, eu não tenho onde morar”. Raquel Zurc tem 36 anos e há 14 abriu a Budega do Raul, localizada na Cidade dos Funcionários, em Fortaleza. Nesta semana, uma notícia pegou os frequentadores de surpresa: o bar pode fechar por conta de dívidas que chegam a R$ 60 mil.

“Ano passado eu tive um ano muito difícil. O mercado já estava começando a mudar, eu investi no almoço para diversificar o faturamento e aproveitar o espaço de dia, que é muito bom, mas simplesmente não aconteceu e eu entrei neste ano já com problemas relacionados ao ano passado”, disse Raquel. 

Ela conta que havia elaborado o plano anual do bar e o enviado a uma marca para solicitar uma parceria. O projeto foi aprovado. Foi realizado carnaval e executado o projeto até a Copa, mas, segundo ela, este ano o circuito do Carnaval de Fortaleza foi muito pesado.

“Literalmente, todos os fins de semana eram festa [...] E os pólos eram Benfica, Dragão do Mar, Meireles em si. Era o foco maior desse Pré-Carnaval de Fortaleza. Isso me prejudicou muito, porque eu entendo que a Budega é muito distante dos outros bares semelhantes da cidade”, analisa a proprietária.

A chuva foi outro ponto levantado por Raquel para explicar as intercorrências financeiras. Ela também falou sobre o efeito manada gerado pela ação de influenciadores e como isso faz com que pessoas migrem em massa após a influência dessas pessoas.

“Não à toa que tem o efeito manada. Quando um barzinho surge que alguém valida, que um  influencer vai lá e faz um vídeo legal, e a gente sabe que as pessoas pagam por essa mídia. Todo mundo paga por essa mídia do influencer”, pontua Raquel.

HISTÓRIAS QUE SE CRUZAM

“Eu nasci dentro desse projeto”. As histórias de Raquel e da Budega do Raul são uma só, e se cruzam na maior parte desses últimos anos. Abrir mão do bar não seria apenas abrir mão de um negócio, mas deixar seu lar. Afinal, não foram erguidas somente paredes, mas quem ela é também.

Eu sou uma mulher trans que nasceu com uma empresa já consolidada, pelo menos na emoção, na mente das pessoas. Não no mercado, porque senão não estaria na merda, mas que tem uma história e ver minha vida inteira nessa prateleira é desesperador
Raquel Zurc
Proprietária da Budega do Raul

Raquel conta que quando contou o bar, há 14 anos, tinha 22 anos, sendo a primeira filha formada da família. Nascida de uma “realidade muito dura, muito cruel”, como ela narra, morou em um barraco de pau-a-pique. Para ela, o bar também era um lugar de cuidado.

“Costumo dizer que a Budega é um espaço mental. Ela é um espaço que existe muito mais para acolher, para permitir que as pessoas existam lá na sua essência do que qualquer outra coisa, do que o negócio em si”, explica Raquel.

CAMPANHA PARA NÃO FECHAR AS PORTAS

Foto: Arquivo pessoal.

Amigos de Raquel e verdadeiros fãs da Budega do Raul mobilizaram uma campanha para ajudar o bar a não fechar suas portas. Internautas falaram sobre a importância do ambiente na construção de suas histórias e memórias na cidade.

“O desespero é tanto que eu juro que eu só queria não dever o que eu devo hoje, que gera em torno de R$ 60 mil. Isso eu falo de dívidas cruas, né? Como dívida de cartão, é do cartão do bar, que é R$ 15 mil, com fornecedor de cerveja, que é R$ 30 mil, que é com o aluguel, que é mais R$ 20 mil. Então, não são coisas absurdas”, explica a proprietária.

Segundo Raquel, não é questão de ser LGBT, de não ser LGBT, “todos os lugares deveriam ser incluídos, todos os lugares as pessoas deveriam se sentir somente elas, sem serem observadas, sem serem julgadas, sem serem destratadas, sem serem desrespeitas e 14 anos construindo essa história, elas se encontram nessa prateleira”.

“Quero quitar tudo que eu estou devendo, até porque não são os 60 mil que devo, mas caso venha a fechar, tem rescisões trabalhistas que eu preciso honrar com essa equipe que tá do meu lado construindo isso, mesmo que esse isso ainda não seja o que a gente espera ou que a gente gostaria”, pontua ainda.

O Pix solidário para ajudar na campanha é: 50955250000153.