Com foco em regiões onde a produção agropecuária ganha peso, a Accor avalia a Serra da Ibiapaba e o Sertão Central para novos hotéis. A rede tem hoje sete unidades em operação no Estado, seis da bandeira Ibis e uma da Mercure.
Segundo o diretor executivo de Desenvolvimento da Accor Américas, Abel Castro, o grupo acompanha a formação de novos polos econômicos, onde podem surgir demandas por empreendimentos mais estruturados.
As duas regiões se destacam na produção agropecuária do Ceará. Na Serra da Ibiapaba, estão entre os principais cultivos tomate, açaí, maracujá, mamão e pimentão.
No Sertão Central, municípios como Quixeramobim e Milhã têm participação relevante na produção de leite, que fez o Ceará superar a Bahia e se tornar o segundo maior produtor do Nordeste em 2025.
Rota do agro
Esse tipo de movimento está no radar da Accor porque o agronegócio é um dos principais vetores de expansão da rede para cidades médias do País. O volume de negócios, pessoas e serviços que circulam por esses municípios pesa mais do que a população residente.
De acordo com Castro, a rede tem cerca de 30 hotéis em cidades ligadas à rota do agro, com mais de 4.100 quartos, e cerca de 15 empreendimentos no pipeline. Há dez anos, eram 18 hotéis nesse tipo de localidade.
“A combinação de atividades agropecuárias, industriais e logísticas gera um fluxo relevante de viajantes corporativos, fornecedores, prestadores de serviço e profissionais que precisam de uma oferta hoteleira confiável”, afirma Castro.
Novos empreendimentos já definidos no Ceará
Dois novos empreendimentos da rede Accor estão em desenvolvimento no Ceará, ambos da bandeira Ibis.
Um deles será o ibis Styles Fortaleza Praia do Futuro, que tem previsão de abertura para 2030 e cujo projeto vai receber um investimento de aproximadamente R$ 30 milhões dos investidores parceiros.
O segundo será construído em Sobral, e a abertura está prevista para meados de 2029.
“Sobral é um importante polo regional, com uma economia diversificada e forte atuação nos setores de indústria, serviços, educação e saúde, além de exercer influência sobre diversos municípios do entorno”, destaca o executivo.
Castro aponta que as duas cidades representam frentes complementares na estratégia da rede no Ceará, sendo “uma capital consolidada e um importante polo regional com potencial de crescimento”.
“A chegada do hotel (em Sobral) reforça nossa estratégia de acompanhar o desenvolvimento de novos polos econômicos e ampliar a presença da Accor para além das capitais. Em muitos casos, é justamente nas cidades que concentram a economia de uma região que surgem as melhores oportunidades para a hotelaria”, afirma.
Presença no Ceará e oportunidades de expansão
Para tomar a decisão de levar os empreendimentos para alguma cidade, a rede considera fatores como o tamanho e o potencial da demanda, atividade econômica, infraestrutura, localização, concorrência e viabilidade do projeto.
O portfólio de marcas da Accor inclui Ibis, Mercure, Handwritten Collection, Novotel e Pullman, entre outras bandeiras.
No Ceará, ao todo, a Accor conta com sete hotéis em operação, sendo cinco em Fortaleza, um em Caucaia, na Região Metropolitana, e um em Juazeiro do Norte.
Fortaleza
- Mercure Fortaleza Meireles;
- Ibis Fortaleza Praia de Iracema;
- Ibis Fortaleza Centro de Eventos;
- Ibis Styles Fortaleza Giga Mall;
- bis budget Fortaleza Praia de Iracema.
Caucaia
- Ibis Caucaia Porto do Pecém.
Juazeiro do Norte
- Ibis Juazeiro do Norte.
Hotéis boutique e independentes também estão no radar
De acordo com Castro, os empreendimentos atendem diferentes tipos de públicos — desde os que viajam a turismo até os que realizam viagens corporativas.
“Essa diversidade de demanda é justamente o que torna o Ceará interessante, não dependemos de um único motor para sustentar a hotelaria”, afirma.
O executivo também destaca a bandeira Handwritten Collection, que reúne hotéis boutique e independentes. Nela, cada estabelecimento mantém sua identidade própria enquanto passa a contar com distribuição, vendas, tecnologia e outros processos da Accor.
Castro aponta que o Nordeste é uma região importante para a expansão desse formato. O Monã Hotel Teresina – Handwritten Collection será o primeiro hotel da marca no Brasil, ainda em 2026, enquanto o Nui Handwritten Collection, em João Pessoa, está previsto para 2028.
“O Ceará apresenta oportunidades para esse modelo, especialmente considerando a presença de hotéis independentes e propriedades com identidade própria no Estado. Além da Handwritten, continuamos avaliando oportunidades para diferentes marcas do nosso portfólio, de acordo com o perfil de cada mercado”, finaliza.