A Serra da Ibiapaba cearense pode ser considerada a horta do Estado. Com uma plantação consistente de hortaliças, os nove municípios que englobam a região são um dos maiores polos produtores do Nordeste.
As hortaliças, nesse caso específico, não se tratam apenas dos vegetais folhosos, como alfaces, couves e agriões. Englobam, além das verduras, os legumes, como cenoura, pimentão e tomate.
Informações reveladas pela Associação Brasileira de Horticultura (ABH) apontam que devem ser incluídos entre as culturas de hortaliças itens plantados com destaque na Serra da Ibiapaba, como melancia, morango e batata-doce.
Que condições favorecem com que os municípios da serra cearense sejam um dos principais produtores do território nordestino? Especialistas ouvidos pelo Diário do Nordeste apontam que a região se favorece de diversos fatores.
Clima, terreno e água
O analista de mercado da Ceasa, Odálio Girão, avalia que hoje os municípios que compõem a região da serra são centro e polo de convergência na produção. Além das hortaliças, são destaques na Ibiapaba as frutas.
"Altitude, clima, solo e a água abundante favorecem a região. O carro-chefe da região é o tomate, de diferentes tipos, como o tomate salada. Nas folhosas, temos o alface, alho-poró e acelga", aponta.
Ele menciona frutas como abacate, maracujá e pitaia, que encontraram nos municípios da serra um local para prosperar.
"Encontramos produtos de qualidade, sempre frescos chegando aos mercados. A distância até o mercado da Grande Fortaleza é pequena, favorece a logística também para outras capitais do Nordeste e cidades do interior do Ceará", completa o especialista.
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec) corrobora com a análise de Girão, atrelando ao clima ao destaque da Ibiapaba na produção de hortaliças do Nordeste.
"Ainda há um grande potencial a ser explorado que, basicamente, está limitado à oferta de água", completa a entidade.
Qual o valor da produção agrícola na Serra da Ibiapaba?
Dados da Faec com base na Produção Agrícola Municipal (PAM), pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), afirma que a produção agrícola dos municípios que compõem a serra alcançou cifras próximas de R$ 2 bilhões em 2024.
Isso representa 32,4% de todo o preço de mercado da safra cearense no mesmo ano, que ficou pouco acima dos R$ 6,1 bilhões.
Para efeitos comparativos, é como se a Serra da Ibiapaba, sozinha, tivesse valor de produção agrícola superior à metade da alcançada nos estados de Sergipe, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Vale lembrar que o Valor Bruto da Produção (VBP) do polo produtivo da Ibiapaba, conforme a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado do Ceará (SDE), foi de R$ 2,33 bilhões, cerca de 30% do total do Ceará.
Guaraciaba do Norte (R$ 381,1 milhões), São Benedito (R$ 372,3 milhões) e Tianguá (R$ 345,3 milhões) foram os municípios que tiveram as produções mais rentáveis na região.
No levantamento, são considerados todos os 72 produtos das lavouras temporárias e permanentes que constam na PAM.
Ficam de fora os chamados vegetais folhosos, como alface, couve e rúcula. A pesquisa mais recente que mensura a produção desses alimentos foi o Censo Agropecuário de 2017, também elaborado pelo IBGE.
No total, o Produto Interno Bruto (PIB) dessas cidades chegou perto dos R$ 7,2 bilhões em 2023, de acordo com os últimos dados do PIB dos Municípios divulgados pelo IBGE. A agropecuária foi responsável por cerca de 20% dessa fatia.