'Roubei para vender e me apaixonei': influencer conta como virou o 'ladrão de cachorro de madame'

Jovem relatou ao Diário do Nordeste como o preconceito nas ruas virou renda na internet.

Escrito por Carol Melo carolina.melo@svm.com.br
09 de Agosto de 2026 - 19:14

O preconceito acabou se transformando em oportunidade para o influencer Matheus Osminio, que viralizou nas redes sociais ao desabafar após ser acusado de roubar a própria cachorra, uma yorkshire chamada Zoe, em São Paulo (SP).

O sucesso o inspirou a criar um personagem que brinca com a situação: “roubei para vender e me apaixonei”.

No Instagram, onde tem mais de 98 mil seguidores, ele compartilha conteúdos, desde o fim de maio, em que interpreta um “ladrão” que foi conquistado pela “cachorra de madame” após furtá-la.

Nas imagens, ele e a pet, de 4 anos, aparecem combinando roupas e usando looks elaborados. 

Trajetória de superação

O humor do jovem de 29 anos esconde uma história de superação. Antes de passar a cuidar de Zoe, ele viveu em situação de rua por cerca de três anos em decorrência de uma dependência química.

Porém, ao descobrir que o pai estava com um câncer em estágio avançado, tratou a adição. No entanto, antes de encerrar o tratamento, acabou perdendo o familiar.  

Então, em dezembro de 2025, recebeu alta e passou a morar com a mãe e a antiga pet do pai, a yorkshire Zoe.

Com a convivência, ele conta ao Diário do Nordeste que os dois desenvolveram uma relação profunda de afeto.

Quando saí da clínica, a Zoe se apegou muito a mim. Tem gente que acha que é loucura, mas acho que é algo sentimental mesmo, meio que espiritual. Toda vez que vou para a rua, ela já vem atrás de mim. Quando não dá para levá-la, ela fica me esperando, preocupada. Tipo, virou uma coisa que parece mesmo como proteção.”
Matheus Osminio
Influencer

Como surgiu o 'ladrão de cachorro de madame'

Entretanto, durante um passeio dos dois pelas ruas da Zona Norte paulista, o jovem foi acusado de roubar o animal.

“Comprei uma roupinha para ela e fui dar uma volta no bairro. Aquelas pessoas que já me conheciam tinham aquela imagem ruim de mim; acharam que eu tinha roubado ela. Aí, gravei um vídeo usando minha imagem para brincar com a situação e acabou viralizando”, relembra. 

Com a viralização do primeiro vídeo, Matheus relata que recebeu diversas mensagens de usuários pedindo mais conteúdos ao lado da yorkshire e, assim, nasceu o personagem “ladrão predileto”.

A repercussão surpreendeu o paulista: “Achei que só ia ficar conhecido no bairro. Nem consigo imaginar o que são mais de 90 mil pessoas juntas”.

Com o sucesso, o criador de conteúdo passou a receber alguns presentes, conseguiu trocar o celular e comprar algumas coisas para casa, mas também usou a influência para tentar ajudar outras pessoas, principalmente aquelas com quem teve contato durante o período de vulnerabilidade. 

"Conheci muita gente na rua, muita gente jovem, que tinha cachorro — como companhia, às vezes como proteção. Consegui voltar nesses lugares, pegar uns depoimentos e ajudar essas pessoas, nem que fosse por um dia”, detalha.

Apesar dos milhares de seguidores, o influencer conta que ainda não consegue viver apenas com a criação de conteúdo para as redes sociais: "É um serviço dos sonhos para mim”.

'Uma pessoa com essa cara pode ter o cachorro que quiser'

Mais que a possibilidade financeira, Matheus esclarece que o que realmente o motiva é a possibilidade de inspirar outras pessoas a se superarem, “principalmente para as pessoas entenderem que uma pessoa que tem essa cara pode ter o cachorro que quiser." 

"O meu intuito agora com a internet é mostrar que as pessoas podem errar, mas também podem se arrepender e voltar atrás, mostrar que, independentemente da situação, porque eu estava no fundo do poço mesmo, mesmo, mesmo... Acho uma mensagem muito bonita, que, se eu tiver uma oportunidade, sempre que eu tiver, vou levar ela”, destaca.

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