A história do imóvel onde funcionou uma agência da Caixa Econômica Federal, na Avenida Barão de Studart, no bairro Aldeota, em Fortaleza, começou com uma residência familiar. Antes de abrigar um prédio comercial de seis pavimentos, o terreno era ocupado por uma casa de 364 metros quadrados, com quatro quartos, sala de jantar, copa, quatro banheiros e dependência para empregados.
Na sexta-feira (6), o prédio chamou atenção da vizinhos e moradores da região após parte da estrutura da marquise desabar. Desativado desde maio de 2023, o imóvel era alvo de invasões e retirada de peças de ferro, metal e aço por pessoas que entravam no espaço. O episódio ocorreu em meio ao processo de deterioração da antiga edificação.
As transformações do endereço estão registradas em documentos registrados no 1º Ofício de Registro de Imóveis de Fortaleza e obtidos pelo Diário do Nordeste.
Um deles, aberto em 6 de março de 1985, permite acompanhar a mudança da ocupação residencial para comercial ao longo das décadas.
Casa tinha quatro quartos e dependência para empregados
A descrição original do imóvel apresenta uma residência construída em tijolo e telha, com laje de concreto armado e cobertura de madeira de lei e telhas coloniais.
Entre os ambientes, estavam quatro quartos, três deles com armários embutidos, sala de jantar, copa, quatro banheiros sociais, quarto de empregada, cozinha e despensa.
O valor registrado na negociação foi de Cr$ 420 milhões, na moeda vigente à época. Corrigida aproximadamente pela inflação acumulada, a quantia corresponderia a cerca de R$ 1,85 milhão em valores de setembro de 2026.
O terreno onde hoje está o prédio pertencia a antigos proprietários particulares e foi desmembrado de uma área maior em fevereiro de 1985. Poucos meses depois, em 7 de maio daquele ano, a propriedade foi oficialmente transferida para a Caixa Econômica Federal, que adquiriu o imóvel por meio de escritura pública de compra e venda, lavrada em 21 de março de 1985.
Casa foi demolida para dar lugar a prédio comercial
Nos anos seguintes, a antiga casa deu lugar a uma nova construção. A Caixa Econômica Federal solicitou o registro da demolição da residência na matrícula do imóvel, abrindo caminho para a construção de um prédio comercial no terreno.
Em 1993, o registro imobiliário passou a documentar a construção de um novo empreendimento no endereço: um prédio comercial de seis pavimentos.
A edificação foi distribuída entre subsolo, térreo, mezanino e três pavimentos tipo. O subsolo foi registrado com 646,90 m² de área construída; o térreo, com 853,71 m²; o mezanino, com 504,50 m²; e cada um dos três pavimentos superiores, com 477,63 m².
Somadas, as áreas totalizavam 3.438 metros quadrados de construção. Considerando o registro de 1993, o edifício tinha 33 anos em novembro de 2026.
Prédio abrigou centro de processamento de dados da Caixa em 1991
Antes de funcionar como agência bancária, o imóvel da Avenida Barão de Studart abrigou uma estrutura administrativa da Caixa. Uma reportagem publicada pelo Diário do Nordeste em 19 de novembro de 1991, com o título “Caixa inaugura estrutura de processamento de dados”, anunciou a instalação do Departamento Regional de Sistemas (DERIT) na sede própria da instituição.
O departamento seria responsável pelo processamento de informações de agências da Caixa no Ceará, Maranhão e Piauí.
A reportagem também revela que o endereço havia sido inicialmente destinado à implantação da Agência Aldeota, mas acabou recebendo a estrutura regional de processamento de dados.
Pedidos de penhora aparecem nos registros
O histórico imobiliário também registra pedidos de penhora relacionados a processos da Justiça Federal entre 1999 e 2000. As anotações foram posteriormente canceladas por determinações judiciais em junho de 2005.
Em março de 2010, uma nova averbação informou que havia sido requerida a penhora do imóvel em um processo da 9ª Vara Federal de Execuções Fiscais de Fortaleza.
A certidão obtida pela reportagem não esclarece se essa última penhora chegou a ser efetivada na circunscrição imobiliária competente nem apresenta o desfecho do processo.
Caixa afirma ter vendido o imóvel em 2002
Após a queda da marquise do prédio da Avenida Barão de Studart, a reportagem entrou em contato com a Caixa para saber informações sobre a posse do imóvel. O banco declarou que ele foi vendido em dezembro de 2002, por meio da Concorrência Pública nº 4/2002.
Segundo o banco, a negociação foi formalizada por escritura pública de compra e venda. Entretanto, o adquirente não providenciou o registro da transferência no cartório imobiliário.
A Caixa afirma que está adotando medidas legais para regularizar a situação, com fundamento na Lei nº 14.382/2022. A instituição não informou quem foi o comprador, o valor da negociação ou quais procedimentos estão sendo adotados para concluir a transferência.