Grupo de Fortaleza fica sem água e alimento a baixíssimas temperaturas durante nevasca no Chile

Previsão de retorno ao Ceará é na quarta-feira (22) após dias de tensão e racionamento.

Escrito por Diego Barbosa diego.barbosa@svm.com.br
19 de Julho de 2026 - 15:13 (Atualizado às 15:24)

Você realiza o sonho da viagem internacional de férias e acaba sem água, com pouca comida e numa situação apavorante a baixíssimas temperaturas. É o relato de um grupo de fortalezenses que desembarcou em Santiago, no Chile, no último dia 11 de julho. Os turistas, em número de 10 – cinco adultos e cinco crianças, entre familiares e amigos – continuam no país, e têm previsão de retorno ao Brasil apenas na quarta-feira (22).

“A situação é angustiante, principalmente por termos crianças. Nossa preocupação maior é com elas devido à alimentação e tudo mais”, conta a enfermeira Débora Terto diretamente de Farellones. O município fica localizado em um vale nos Andes e é procurado sobretudo pelas áreas de esqui. Segundo Débora, a julgar pelos próprios moradores do local, foi a pior nevasca que já enfrentaram, com sensação térmica de 8ºC negativos.

Devido a deslizamentos de terra, estradas foram fechadas, impedindo os cearenses de retornar ao aeroporto. Para se ter ideia, a previsão inicial de chegada em Fortaleza era neste domingo (19) à tarde. “Precisaremos pagar diárias mais caras, porque a terceira será em período de alta estação. Ou seja, além de tudo, ainda teremos esse custo maior”, lamenta a enfermeira.

A viagem foi planejada no ano passado a partir da amizade entre os pais de crianças estudantes no mesmo colégio. O roteiro previa alguns dias em Santiago e outros três em Farellones, para posterior retorno à capital do Chile e volta para casa. 

Situação no interior do chalé onde grupo ficou hospedado durante a nevasca.
Legenda: Situação no interior do chalé onde grupo ficou hospedado durante a nevasca.
Foto: Débora Terto/Arquivo pessoal.

Apenas neste domingo as estradas foram liberadas. Neste momento, os viajantes voltam de comboio junto a outros grupos que também ficaram ilhados devido à nevasca. O trajeto é feito ao longo de duas horas em condições ideais; por ser em comboio, demorará de seis a oito horas.

Como foram os momentos de tensão na neve

Conforme Débora, a situação foi “bastante complicada” durante o auge da nevasca. Houve dias em que o grupo ficou sem água, tendo em vista que aquela que saía da torneira, para beber, estava contaminada. “Tínhamos que ferver pra poder beber. Em outros momentos, precisamos descongelar a água que já tínhamos”, dimensiona.

Neve cobriu carros durante nevasca.
Legenda: Neve cobriu carros durante nevasca.
Foto: Débora Terto/Arquivo pessoal.
 

Em determinado instante, as 10 pessoas precisaram dividir apenas três garrafas de água. “Todo mundo bebendo um pouquinho pra aguentar chegar até hoje”.

Também necessitaram racionar comida. O sistema de calefação foi um capítulo à parte. Dependia da lareira para ser efetivo, mas a madeira do chalé que tinham alugado para a temporada estava congelada. Resultado: diversos problemas respiratórios.

Água precisou ser racionada durante temporada do grupo em Farellones.
Legenda: Água precisou ser racionada durante temporada do grupo em Farellones.
Foto: Débora Terto/Arquivo pessoal.

“Precisamos fazer calefação interna, e era horrível. Num dia houve muita fumaça dentro de casa, e eu tive crise asmática... Foi bem puxado. Meu filho e minha amiga estavam com cirurgia marcada para o dia 20, quando já estaríamos em Fortaleza, mas cancelaram”.

Grupo recebeu apoio de outros brasileiros

Felizmente, nem tudo foi angústia. O grupo recebeu ajuda de outros brasileiros hospedados na localidade. O próprio dono do chalé onde eles estavam hospedados também colaborou para que os impactos fossem mínimos.

“Se não fosse ele, seria ainda mais complicado”. Policiais igualmente demonstraram acolhida. Conforme Débora, ao serem procurados pelo grupo, compartilharam contato para emergência e os levaram ao mercado, a fim de auxiliar na reposição de alimentos.

Ao centro, comboio de volta a Santiago com grupos ilhados na região devido à nevasca, neste domingo (19).
Legenda: Ao centro, comboio de volta a Santiago com grupos ilhados na região devido à nevasca, neste domingo (19).
Foto: Débora Terto/Arquivo pessoal.

“É muito ruim estar numa programação e ser totalmente o avesso do que a gente tinha programado. Chegamos para passar três dias e vamos passar mais três”, lamenta a cearense. 

Ainda assim, confessa: “No fim, apesar de todo o contratempo, de toda a preocupação e angústia, foi um passeio muito bom. A preocupação fica maior com os adultos. As crianças tendem a se divertir porque não veem o problema”.

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