Nos dias que antecedem o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), é comum que os estudantes lidem com estresse, exaustão e ansiedade. Sinais como sono desregulado, pensamento acelerado, irritabilidade, dificuldade de concentração e alterações no apetite podem aparecer e atrapalhar a reta final de preparação.
Para a psicóloga Hilda Vitória Freires Sousa, a ansiedade nas vésperas da prova não significa falta de preparo ou insegurança. “Muitas vezes, ele estudou, se dedicou e tem condição de fazer uma boa prova, mas a preocupação excessiva com o resultado acaba interferindo na capacidade de acessar esses conhecimentos e raciocinar de forma clara”, afirma.
Isso acaba acontecendo quando os estudantes não possuem uma estratégia clara e objetiva na reta final e acaba encarando as últimas semanas como “oportunidade de aprender tudo aquilo que não foi possível estudar antes”.
Ao Diário do Nordeste, Dawison Sampaio, professor de História e supervisor do 3º ano do Colégio Farias Brito, explica que é normal os candidatos "acelerarem" os estudos. “Só que essa aceleração pode trazer um efeito reverso, que é esse aspecto psicológico”, diz.
Como a psicóloga reforçou, não é incomum a ansiedade se manifestar nesses períodos. No entanto, se os sintomas começarem a atrapalhar o sono, a alimentação, a concentração e o bem-estar, pode ser necessário procurar ajuda médica ou psicólogica.
Por isso, descansar a mente pode ajudar o candidato a recuperar informações importantes, conectar ideias e lidar melhor com os desafios que irão aparecer durante a prova. “A orientação é que o estudante procure desacelerar, faça atividades de que goste, distraia-se e tente descansar de verdade”, completa.
“É importante que o estudante entenda que o desempenho no Enem é resultado de uma construção que aconteceu ao longo do tempo, durante toda a preparação”, destaca a psicóloga.
Sampaio acrescenta que o aluno deve ter um processo de autoconhecimento pessoal, entendendo quais as prioridades e que “a definição da vida não está num único momento, num único ponto”.
“Faça o seu melhor, o que está ao seu alcance. Não é você baixar a guarda, mas ao mesmo tempo você ter esse autocuidado para que você não possa forçar demais e de repente trazer um efeito reverso”.
Dicas para relaxamento e concentração
A psicóloga orienta que algumas atividades podem ajudar o estudante a se concentrar e minimizar a pressão da prova. “Isso vai permitir que o estudante tenha momentos de pausa e consiga sair um pouco do ciclo de preocupação”, complementa. Entre as dicas, estão:
- Exercícios respiratórios: respiração concentrada, com atenção ao movimento do abdômen;
- Atividade física ao ar livre: caminhadas, bicicleta, dança ou outras atividades de preferência do estudante ajudam a aliviar a tensão e proporcionam uma pausa mental;
- Atividades prazerosas: ouvir música, encontrar amigos, assistir a um filme ou ter momentos de lazer também são formas importantes de descanso emocional.
Ela reforça que o candidato deve encontrar aquilo que goste de fazer e não encare a tarefa como uma cobrança ou obrigação. “A ideia é justamente criar momentos em que ele consiga de fato descansar e relaxar. O equilíbrio é fundamental”, diz.