Nascida em Parambu, município cearense no Sertão de Inhamuns, a agricultora Liduina Maria de Sousa, de 56 anos, percorreu cerca de 250 metros de joelhos para pagar uma promessa feita em prol da vitória do presidente Lula (PT) no 2º turno das eleições de 2026.
Filha de agricultor e mãe de três filhos, a cearense que viu as vidas dela e da família melhorarem ao longo dos governos do petista prometeu sair “do pé do fogão” da própria casa, na comunidade de Novo Assis, e ir até a Capela de São Francisco de Assis ajoelhada em caso de vitória do candidato.
A promessa foi feita após o resultado do 1º turno, no qual Lula terminou atrás de Flávio Bolsonaro (PL), e foi cumprida às 4 horas da manhã desta segunda (26), cerca de 7 horas depois da reeleição do petista ser confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Liduina executou o feito em pouco mais de duas horas, vestida com trajes em alusão a Padre Cícero e segurando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. “Sou devota a muitos santos, não é nem só um. Creio muito no meu Padre Cícero de Juazeiro, na minha mãe Nossa Senhora Aparecida e também em São Francisco de Assis, padroeiro da nossa localidade”, explica.
“Eu achava que o Lula ganhava (no 1º turno). Quando ele não ganhou, fiquei desesperada e fiz essa promessa. Muita gente achava que eu não pagava, porque é distante da minha casa pra Igreja, dá mais de 250 metros”, compartilha a agricultora em entrevista por telefone ao Diário do Nordeste.
A vitória decretada, define, foi uma “notícia muito boa”. “A emoção foi maravilhosa, ainda hoje eu tô sentindo aquela alegria”, partilha. O pagamento da promessa, segue a agricultora, “valeu a pena”. “Eu tô satisfeita que o meu presidente ganhou e consegui pagar a minha promessa”, celebra.
Liduina detalha que os joelhos não chegaram a ficar feridos ou sangrar, mas reconhece dificuldade de caminhar e ficar em pé nas horas que se seguiram. “Tô um pouco abatida do corpo. Por ora, consegui fazer a comida do almoço muito devagar, mas agora de tarde vou ficar mais com as pernas estiradas”, conta.
Apesar das dores, o momento é definido por uma palavra: “Só tenho gratidão por tudo”. “Trabalho toda a vida como agricultora. Veio do meu pai, ele sempre foi uma pessoa muito pobre, da roça. Trabalhava de manhã pra gente jantar, andava muito de pé pra poder ganhar 1kg de feijão pra dar aos filhos”, lembra.
Bolsa Família e casa própria do pai estão entre motivações da gratidão
“Eu sou a filha mais velha, então eu fui a que mais foi pra roça pra ajudar meu pai a criar os outros”, segue Liduina. Ela é a primogênita de 14 irmãos, dos quais 10 estão vivos. Deixou de ajudar o pai na lida depois que constituiu a própria família e passou a ter o trabalho na roça como subsistência de si e dos seus.
“O primeiro filho eu tinha 18 anos, tenho 3. O primeiro eu não criei junto com o pai, aí sofri pra criar, botando água na cabeça pra ganhar meio litro de leite e poder sustentar. De lá pra cá, veio um presidente muito bom e consegui criar os outros filhos numa situação melhor”, reconhece.
A menção a Lula como “presidente muito bom” é aprofundada pela agricultora em programas sociais que beneficiaram a ela e à família. “Veio o Bolsa Família. Meu pai nunca possuiu uma casa, veio possuir uma casa através do Lula. Foi aí onde eu me peguei muito com o Lula”, sustenta.