MELHORA AINDA NÃO É GERAL

Setores da indústria cearense começam a mostrar reação

Estudo da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) aponta que os setores têxtil, químico, metalúrgico, de couros e calçados e de alimentos superaram os desafios impostos pela crise e voltaram a registrar avanço neste ano. A expectativa é encerrar 2017 com um crescimento sustentável

00:00 · 18.03.2017 por Carol Kossling - Repórter
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Um dos principais indicadores da economia, a produção industrial começa a dar sinais de retomada no Ceará. Entre os setores locais que despontam estão o têxtil, produtos químicos, calçados e couros, alimentos e metalurgia. Os dados são do Panorama Industrial elaborado pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), que apontam que estas atividades venceram os desafios impostos pela crise política e econômica nacional e apresentam recuperação, além de sinalizarem um crescimento sustentável, especialmente no segundo semestre de 2017.

O economista da Fiec, Guilherme Muchale, considera, de forma geral, que a indústria caminha para superação da crise, que ocorreu de forma tardia devido à instabilidade política ainda vivida no País. "Nos últimos meses, foi anunciada uma série de medidas micros e macroeconômicas para injetar recursos na economia, diminuindo o pessimismo e criando um cenário econômico diferente", considera.

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Guilherme Muchale afirma ser óbvio que, para a recuperação econômica se concretizar, é necessária a continuidade das medidas de responsabilidade fiscal, redução intensa das taxas de juros e implementação da reforma tributária.

Reflexos

Para o economista da Fiec, os reflexos positivos para a economia cearense já têm se evidenciado e mostram-se visíveis nos resultados da pesquisa, com perspectivas para intensificação no segundo semestre.

"Sobretudo para o setor industrial, que deve apresentar uma forte expansão de suas exportações e crescimento da produção de aproximadamente 2%", ressalta Muchale.

Para o especialista, com o cenário econômico mais calmo será possível trazer à discussão políticas econômicas com visão de longo prazo que vão além das reformas, com foco, sobretudo, na melhoria do ambiente de negócios, infraestrutura e oferta educacional. Além, da intensificação da inserção internacional e inovação tecnológica da indústria brasileira.

Crescimento nacional

Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta semana confirmam a tendência nacional da retomada do setor industrial. Em janeiro deste ano, das 15 regiões pesquisadas pelo IBGE, incluindo o Ceará, 12 cresceram em comparação com igual período de 2016. Com esse desempenho, a produção industrial registrou um crescimento de 1,4% em janeiro na comparação a igual mês do ano passado.

Entre os locais pesquisados, os melhores desempenhos e resultados acima da média da indústria foram Pernambuco (+14,1%), Espírito Santo (+13,4%) e Mato Grosso (+13,3%). Goiás (+8,5%), Pará (+8,2%), Amazonas (+7,5%), Santa Catarina (+5,6%), Minas Gerais (+4,8%), Rio de Janeiro (+4,6%) e Paraná (+4,1%). Também ficaram positivo São Paulo (+1,2%) e Ceará (+0,4%).

Estes dados podem, de certa forma, dar esperança aos trabalhadores do setor produtivo, uma vez que quanto mais cresce a produção da indústria, maior é o índice de confiança dos empresários para investir nos negócios, recuperar as vagas perdidas e voltar a contratar mais colaboradores.

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