Setor químico investe em eficiência e redução de custo

A Cigel já verificou um aumento nas vendas de produtos como água oxigenada, shampoo e creme para pentear ( Foto: André Lima )
00:00 · 18.03.2017

No setor de produtos químicos, a recuperação também está sendo sentida. O Panorama Industrial da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec) aponta que, em janeiro, o registro foi positivo em 18%. O que é confirmado pela Cigel, mesmo com a tradição do primeiro trimestre do ano ser mais fraco. A empresa já sentiu um aumento nas vendas de produtos de consumo. "Apesar do desemprego ainda estar em alta e o comerciante da periferia ainda estar em recesso, têm crescido as vendas de água oxigenada, shampoo e creme para pentear", diz o diretor-presidente da Cigel, Paulo Gurgel.

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Os investimentos da ordem de R$ 2 milhões iniciados em 2016, principalmente em equipamentos, continuam. Neste ano, o foco é a ampliação de mercado nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, além das ações de marketing.

Atualmente, o quadro de distribuidores conta com 20 unidades e, até o fim do ano, a intenção é dobrar esse número. "Isso representa um incremento na operação entre 12% e 15%, que acompanha a taxa de crescimento esperado", informa. Para coordenar essa equipe, houve a contratação recente de um gerente de vendas.

Rentabilidade

Hoje, a rentabilidade da empresa chega a 60% a mais em virtude de ajustes e adaptações feitas na crise. "Contratamos consultores e revimos processos. Também apostamos em equipamentos de baixo consumo e alta produção. Subimos a produtividade em 20% em 2016", diz. As despesas fixas foram reduzidas em mais de 20% e o custo do produto em 10%. "Revertemos um prejuízo de 2015 em lucro já em 2016", afirma.

Reação

Na visão do presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Farmacêuticas, Colchões e de Materiais Plásticos e Produtos isolantes do Estado do Ceará (Sindiquímica), Marcos Soares, o mercado interno de produtos químicos de uso industrial vem reagindo no cenário nacional.

"Mas essa reação é em função da referência de uma base muito negativa dos anos anteriores (2014 e 2015). Outro fator que influenciou positivamente é que o setor fornece produtos para o agronegócio, como fertilizantes e defensivos agrícolas, que apontam para uma recuperação na produção. Mas esses resultados ainda não são indicadores de superação da crise que ainda nos atinge", diz com cautela.

Melhorias

Segundo Soares, a previsão é manter, no primeiro semestre deste ano, o nível de recuperação registrada nos últimos meses. "É preciso ter cautela, porque o momento ainda é muito delicado. Mas, ao mesmo tempo, o Sindiquímica estará desencadeando uma série de ações para proporcionar às empresas do setor melhoria de gestão e preparação para a busca de novos mercados, principalmente no exterior", comenta.

A grande aposta do setor é a instalação do Polo Industrial Químico, em Guaiuba, que começa a tomar corpo com a liberação recente pelo Governo do Estado dos recursos para o início de obras de infraestrutura necessárias ao empreendimento. (CK)

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