APONTA ESTUDO

Produção têxtil inicia o ano com alta de 38,8%

Além da menor base de comparação, retomada também se deve ao reabastecimento das confecções e do varejo

De acordo com o Sinditêxtil, as empresas locais estão fazendo o dever de casa, atualizando o parque industrial e realizando investimentos. Inovação, redução de custos e uma maior produtividade poderão trazer melhores resultados
00:00 · 18.03.2017

O Ceará tem um importante polo têxtil que figura entres os principais do País. Segundo o último Panorama Industrial da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), em janeiro, esta atividade registrou o maior índice de produção física cearense, com alta de 38,8%, enquanto o Brasil avançou 10,8%.

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A grande recuperação, segundo a presidente do Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem em Geral no Estado do Ceará (Sinditêxtil-CE), Kelly Whitehurst, deu-se pelo setor ter sido um dos primeiros a ser impactado logo no início da crise. "Estamos vindo de bases de comparações baixas registradas em 2015 e 2016, por isso, a retomada se torna mais visível", considera.

Outro ponto levantado pela titular da entidade é a questão do reabastecimento das confecções e do próprio varejo, que estavam com baixo estoque.

Cautela

"Esta retomada vem acontecendo aos poucos, com muita cautela. No nosso setor, temos grandes, médias e pequenas empresas e algumas já deram sinalização de retomada, mas outras ainda estão se reerguendo", pondera Whitehurst.

A presidente do Sinditêxtil avalia que existe todo um contexto nacional que ainda precisa de respostas mais rápidas para aquecer realmente a indústria.

No entanto, acredita que a inovação, a redução de custos e uma maior produtividade poderão trazer melhores resultados.

Segundo Whitehurst, as empresas locais fizeram o seu dever de casa, atualizando seu parque industrial e investindo. "Nessa última década, foram mais de R$ 500 milhões (investidos) em maquinários. Atualmente, a indústria têxtil cearense tem maquinários de alta tecnologia", conta.

Expectativas

Para o futuro, a curto prazo, ela tem a expectativa de manter os empregos atuais e fortalecer as indústrias para uma maior competitividade.

"Estrategicamente os três sindicatos - Têxtil, Roupas e de Confecções do Ceará - integraram seu planejamento, com o apoio da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) e da Fiec, e em agosto vamos realizar a segunda edição da feira Ceará Moda Contemporânea", comenta.

O evento reunirá as marcas de confecções do Estado e trará compradores nacionais e internacionais de moda para Capital cearense.

Readaptação

Na Delfa, empresa especializada na confecção de bojos, a instabilidade na economia trouxe momentos de adequações nos processos. O momento para readaptar-se, planejando cuidadosamente os passos que seriam dados em 2017.

"O novo ano trouxe a esperança de dias melhores. E é percebível como as empresas e os segmentos estão aos poucos retomando seu crescimento, e melhor, as ações realizadas no ano passado, como cortes de custos desnecessários dão outra visão do negócio, tornando-o mais rentável mesmo em tempos de crise", analisa o vice-presidente da Delfa, Cristiano Junqueira.

Cenário econômico

O executivo acredita que os empresários tem o papel de gerar esta evolução no mercado.

"Gerar novos empregos, criar novos produtos e desenvolver estratégias para que o setor cresça junto com nossos negócios, um crescimento saudável para todos também depende da perspectiva de uma inflação mais baixa, um câmbio mais estável e claro, um leve e otimista crescimento do Produto Interno Bruto (PIB)", diz.

Nichos

Os investimentos realizados nos últimos meses apontam um crescimento esperado de 10% ainda no primeiro semestre.

"A Delfa tem percebido a necessidade de atender nichos do segmento que ainda não estavam dentro da nossa proposta comercial. Estes clientes possuem potenciais com alta demanda e grandes espaços nos mercados que atuam", avalia. (CK)

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