Uma das novelas mais icônicas da TV brasileira, “Roque Santeiro” ganha reexibição na Globo a partir desta segunda (5), na faixa “Edição Especial”, a partir de 14h45. A obra foi criada por Dias Gomes e escrita por ele e Aguinaldo Silva.
Dona do título de novela com maior audiência da história do País, a novela foi exibida em 1985 após ser censurada pela ditadura militar 10 anos antes e tem alguns dos personagens mais marcantes da TV.
Na preparação para o retorno da trama, o Verso preparou uma lista com cinco pontos que explicam como e porque “Roque Santeiro” marcou a história da teledramaturgia brasileira.
Censura em 1975
Para falar de “Roque Santeiro” de 1985, é necessário, antes, trazer à tona a “Roque Santeiro” de 1975. 10 anos antes da estreia da novela que conhecemos, Dias Gomes havia previsto a adaptação de uma peça de teatro de autoria dele para a TV.
O espetáculo “O Berço do Herói” foi escrito em 1965, mas censurado antes de chegar aos palcos. Já em 1975, o autor fez uma série de adaptações no texto para tentar driblar a ainda presente censura. O resultado foi a primeira versão de “Roque Santeiro”.
Com uma série de capítulos já prontos, a novela seria protagonizada por Francisco Cuoco e teria Betty Faria e Lima Duarte nos papeis da Viúva Porcina e de Sinhozinho Malta. Além disso, a divulgação havia sido iniciada e a data de estreia, marcada.
Na noite de 27 de agosto de 1975, na qual o primeiro capítulo seria exibido, a vinheta da novela foi apresentada e, em seguida, o jornalista Cid Moreira apareceu lendo um editorial escrito por Roberto Marinho, dono da Globo, informando que “Roque Santeiro” havia sido censurada.
Ao ser retomada em 1985, a novela chegou às televisões em um contexto de fim da ditadura militar, ainda com censura, mas simbolizando o processo de redemocratização.
Elenco de peso
O elenco original previsto para a novela em 1975 foi convidado, em 1985, para participar da nova versão de "Roque Santeiro" vivendo os mesmos personagens. Na prática, alguns nomes se mantiveram, outros foram trocados e alguns atores interpretaram outras personagens.
O principal caso de manutenção de escalação foi Lima Duarte, que voltou a dar vida a Sinhozinho Malta.
Outros artistas da versão original que participaram da novela foram nomes como Milton Gonçalves, Elizângela e Dennis Carvalho, todos vivendo outros papeis.
Francisco Cuoco e Betty Faria, que viveriam Roque e a Viúva Porcina, recusaram repetir os papeis. Quem assumiu as personagens e entregaram interpretações icônicas foram José Wilker e Regina Duarte.
Além do trio principal, o elenco foi composto por nomes como Ary Fontoura, Lucinha Lins e Yoná Magalhães, por exemplo. Além disso, "Roque Santeiro" marcou a estreia na Globo de figuras como Maurício Mattar, Claudia Raia e Patrícia Pillar.
Trama política e com crítica social
“Roque Santeiro” gira em torno do protagonista, um artesão que faz santos. Quando o bando do bandido Navalhada invade a cidade fictícia de Asa Branca, o personagem desaparece, mas a notícia que se espalha é que ele teria morrido ao defender o território.
Assim, Roque (Wilker) vira mártir e santo popular, sendo adorado pelos habitantes do local. Isso atrai visitantes e movimenta a economia, o que desperta o interesse de políticos e religiosos de Asa Branca. O homem, no entanto, não morreu e, um dia, decide voltar à cidade.
Esse retorno, porém, coloca em xeque a economia local e os interesses, especialmente, do padre Hipólito (Paulo Gracindo), do prefeito Florindo Abelha (Ary Fontoura), do comerciante Zé das Medalhas (Armando Bógus) e do fazendeiro Sinhozinho Malta (Lima Duarte).
Outra figura central é Porcina (Regina Duarte), que se apresenta como viúva de Roque, apesar de sequer conhecê-lo. Quando isso acontece, um triângulo amorosa se forma entre ela, ele e Sinhozinho Malta. A verdadeira noiva do “santo”, no entanto, é Mocinha (Lucinha Lins), que vive na castidade e crê no retorno dele.
Ao tratar do uso da fé e mentiras mantidas por poderosos, "Roque Santeiro" traça comentários sociais sobre política e religião, usando o humor como ferramenta para transmitir as mensagens.
Bordão e personagens marcantes
O trio principal de "Roque Santeiro" é marcado no imaginário popular do Brasil. O "santificado" Roque é símbolo do falso mito, enquanto a Viúva Porcina é lembrada pelo estilo extravagante.
Já Sinhozinho Malta traz consigo um dos principais bordões da teledramaturgia brasileira: "Tô certo ou tô errado?", eternizado na interpretação de Lima Duarte, que balançava pulseiras ao proferir a frase.
Além deles, outros personagens de tramas paralelas também ficaram marcados no folhetim.
É o caso do professor Astromar Junqueira (Rui Resende), que a cidade suspeita ser um lobisomem. A empresária Matilde (Yoná Magalhães), por sua vez, abre uma boate chamada Sexus, que traz as sensuais dançarinas Ninon (Claudia Raia) e Rosaly (Isis de Oliveira).
As apresentações das mulheres causam a ira do conservador padre Hipólito (Paulo Gracindo) e da beata Dona Pombinha Abelha (Eloísa Mafalda), esposa do corrupto prefeito Florindo (Ary Fontoura).
Há, ainda, o padre Albano (Cláudio Cavalcanti), que vive em conflito com Hipólito por ser mais progressista.
Recordista de audiência
“Roque Santeiro” detém o título de novela de maior audiência da história da TV brasileira. A média geral do folhetim é de 74 pontos. Há registros que, na exibição do último capítulo, houve picos de 100 pontos. A média da exibição derradeira foi de 96 pontos.