Advogados ironizam medidas protetivas em nova trend no TikTok; OAB é notificada

Em vídeos publicados, profissionais ridicularizavam vítimas de violência doméstica após desistirem de medidas protetivas.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
17 de Agosto de 2026 - 20:34
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Legenda: Na legenda, advogados escreviam frases como: "fazendo a revogação da medida protetiva da cliente que voltou para o amor da vida dela".
Foto: Reprodução.

Uma nova trend do TikTok, protagonizada por advogados, utilizou a música "Baile de Marginal", de DJ Zigão e MC Rodrigo do CN, para ironizar mulheres que revogavam as Medidas Protetivas de Urgência (MPU). Após a repercussão do caso, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) entrou em contato com a Comissão de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para pedir providências diante do conteúdo divulgado.

O pedido foi oficializado na última sexta-feira (14). Além do MJSP, a Bancada Feminina da Câmara dos Deputados também cobrou um posicionamento da OAB.

Na trend, profissionais do Direito aparecem mexendo em papéis ou digitando no computador, enquanto colocam a música ao fundo. A letra da canção diz que mulheres gostam de ter fotos estampadas em jornais policialescos e que amam "sarrar" em armas. 

A música também possui trechos como: "É normal, elas gosta [sic] de baile de marginal / Quer sarrar na Glock, quer sarrar no parafal / Quer foto estampada lá no balanço geral / Quer dar pros amigos que têm a cara de mal". 

Ofício cita advogados de diferentes estados

Com essa canção no vídeo, eles escreviam variações da frase: "pedindo o cancelamento da medida protetiva porque a cliente voltou com o amor da vida dela". Conforme a Folha de S.Paulo, 31 advogados de diferentes estados foram citados em ofício do MJSP encaminhado para o Conselho Federal da OAB.

O documento questionou a ética dos profissionais. Um dos vídeos no TikTok chegou a alcançar 1,4 milhão de curtidas e 24,3 mil comentários. 

O que diz o Código de Ética da OAB

Para o MJSP, publicar vídeos como esses viola o Código de Ética e Disciplina da OAB. Além disso, ridiculariza as mulheres que decidem pedir a revogação dessas medidas protetivas e ainda pode minimizar o sofrimento psicológico delas

O ofício teve assinatura da secretária nacional de Acesso à Justiça do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Sheila de Carvalho, e da coordenadora da Bancada Feminina da Câmara dos Deputados, deputada Jack Rocha.

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