"Nosso sonho virou um pesadelo", é com essa frase que a maquiadora carioca Stefany Rago define o golpe que diz ter sofrido após contratar uma agência de viagens do município de Ubajara, na Serra da Ibiapaba.
Há cerca de um ano, Stefany e um grupo de amigos, formado por 13 pessoas – quatro casais e cinco crianças – fecharam um pacote para ir ao Chile.
Mesmo morando no Rio de Janeiro, a maquiadora decidiu contratar os serviços da empresa cearense (Agência Ubajara Viagens e Turismo) porque o proprietário da agência, identificado como José Junior Pessoa Martins, era um amigo da mãe dela, natural do Ceará. A viagem seria realizada de 6 a 13 de agosto.
"Vocês devem estar se perguntando por que nós, sendo do Rio de Janeiro, fechamos passagem com alguém de tão longe. A resposta é porque ele não é uma pessoa desconhecida, ele é um amigo da minha mãe, ou até então a gente achava que era. Minha mãe é natural do Ceará, da cidade dele, eu tenho família lá e amigos lá também", detalhou Rago.
Desde o ano passado, parte do grupo quitou os valores à vista, enquanto os demais parcelaram as compras de passagens, hospedagem e serviços como seguro-viagem.
No total, o prejuízo do grupo é calculado em R$ 38.611.
"Passei um ano juntando dinheiro. Não venho de berço de ouro, tudo o que eu, minha família e minhas amigas conquistamos é com muito suor, muita luta", lamentou a maquiadora.
Em nota, a agência Ubajara Viagens e Turismo alegou que "tem buscado manter diálogo com os clientes envolvidos" para "encontrar soluções dentro das possibilidades legais e preservar os direitos de todas as partes". A defesa da empresa disse ainda que opta por "não se manifestar sobre o mérito das alegações" nesse momento. (Leia comunicado completo abaixo)
"Enrolou a gente até eu perceber que não estava certo"
Em denúncia publicada nessa quarta-feira (5) nas redes sociais, Stefany revelou que começou a desconfiar do suposto golpe porque José Junior nunca enviava comprovante das compras.
Ela e as amigas passaram a pressioná-lo pelos recibos, mas o homem teria colocado culpa na companhia aérea.
"Ele sempre terceirizava o problema, sempre tinha uma desculpa. Enrolou a gente até eu perceber que aquilo não estava certo", disse a carioca.
Rago decidiu entrar em contato diretamente com o hotel, que respondeu que, de fato, havia reserva no nome dela, mas que as diárias só seriam pagas no momento do check-in. Os valores, no entanto, já haviam sido pagos ao dono da agência, que não repassou ao hotel, segundo ela.
"Mesmo que ele tivesse emitido as passagens, corria o risco de a gente passar perrengue em outro país, porque ele não pagou o hotel", afirmou a maquiadora.
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"Ele brincou com o nosso sonho e o sonho dos nossos filhos de conhecer a neve. Nesse meio tempo, meu marido ficou desempregado. A gente se apertou pra fazer a viagem, abdicamos de várias coisas, todas as nossas economias eram pra isso e ele simplesmente deu um golpe na gente", contou Stefany, chorando.
Ao ser pressionado no dia marcado para realizar o check-in das passagens, José Junior Pessoa Martins admitiu que não tinha todo o dinheiro para devolver, apenas R$ 8 mil.
"Eu tinha esperanças de ele devolver o dinheiro para tentar comprar as passagens, mesmo de última hora. As malas estavam arrumadas, as crianças esperando", lastimou a carioca.
Rago disse que já procurou apoio jurídico com um advogado e irá registrar um Boletim de Ocorrência (B.O.) sobre o caso.
O que diz a agência
"A Ubajara Viagens, por meio de seu representante e de sua defesa técnica, informa que tomou conhecimento da repercussão envolvendo reclamações de clientes relacionadas à prestação de seus serviços.
A empresa esclarece que a situação está sendo acompanhada por sua assessoria jurídica e que, desde o início, tem buscado manter diálogo com os clientes envolvidos, com o objetivo de encontrar soluções dentro das possibilidades legais e preservar os direitos de todas as partes.
Neste momento, a defesa opta por não se manifestar sobre o mérito das alegações, tendo em vista que existem tratativas em andamento e que a exposição pública de informações parciais pode comprometer a adequada condução das medidas que vêm sendo adotadas.
A empresa ressalta que as informações divulgadas até o momento não refletem integralmente o contexto dos fatos, razão pela qual prestará todos os esclarecimentos pertinentes nos procedimentos competentes, em respeito ao devido processo legal e à correta apuração dos acontecimentos.
A Ubajara Viagens reafirma seu compromisso com a legalidade, com a transparência e com a colaboração perante as autoridades competentes, confiando que os fatos serão devidamente esclarecidos, sempre com observância do contraditório, da ampla defesa e da presunção de inocência.
Por fim, diante da repercussão do caso, a empresa manifesta preocupação com mensagens ofensivas, ameaças e manifestações que ultrapassem os limites do direito à informação e da liberdade de expressão. Eventuais condutas ilícitas serão analisadas e, se necessário, encaminhadas às autoridades competentes para a adoção das medidas legais cabíveis."