Uma colisão frontal entre duas aeronaves de companhias espanholas com rotas envolvendo o Brasil foi evitada graças à intervenção de um sistema automatizado de segurança. O caso, ocorrido na madrugada do último dia 10 e divulgado na sexta-feira (17) pelo portal especializado The Aviation Herald, foi confirmado pelas autoridades de aviação da Espanha.
O episódio ocorreu por volta de 01h22 (horário UTC) na aerovia N857, na altura da costa do Saara Ocidental. De acordo com os relatórios técnicos, as duas aeronaves haviam recebido autorização para voar na mesma rota e na mesma altitude, a 36 mil pés (nível de voo FL360), mas em sentidos opostos.
O incidente envolveu o voo IB-140 da Iberia, operado por um Airbus A321-200N (matrícula EC-OLE) que havia decolado de Recife (PE) rumo a Madri, e o voo UX-57 da Air Europa, um Boeing 787-9 que fazia a rota inversa, partindo da capital espanhola com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.
Manobra de emergência automatizada
O risco iminente de uma colisão foi neutralizado pelo sistema de segurança instalado nas aeronaves (TCAS - Traffic Alert and Collision Avoidance System), que monitora o espaço aéreo ao redor do avião. Ao detectar a rota de colisão, o mecanismo emitiu alertas simultâneos e obrigatórios para as duas cabines de comando.
Seguindo as instruções do painel automatizado, os pilotos agiram rapidamente, fazendo com que o Airbus da Iberia descesse 500 pés e o Boeing da Air Europa subisse 400 pés.
A manobra corretiva aconteceu em um setor oceânico sob a responsabilidade do Centro de Controle de Canárias. Após o sinal de "conflito livre" emitido pelos computadores de bordo, as tripulações retornaram às altitudes originais e seguiram viagem. Ambos os voos pousaram em segurança em seus destinos.
Investigação em curso
Ainda segundo o site The Aviation Herald, a Comissão de Investigação de Acidentes e Incidentes de Aviação Civil (CIAIAC) da Espanha abriu um inquérito oficial para apurar as causas da grave falha de separação vertical.
Até o momento, os investigadores ainda não esclareceram se o risco foi provocado por uma instrução incorreta do controle de tráfego aéreo ou por um equívoco de uma das tripulações na execução das altitudes.
As companhias Iberia e Air Europa foram procuradas para se manifestar sobre o ocorrido.