Três furacões ativos ao mesmo tempo atravessam o Oceano Pacífico neste fim de semana, impulsionados pelos efeitos históricos do fenômeno El Niño, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa).
Na noite da última quarta-feira (2), a tempestade tropical Marie ganhou força e alcançou a categoria de furacão, quando estava perto da costa da Baixa Califórnia, no México.
O fenômeno se somou aos furacões Karina e Lowell, que avançam em direção ao oeste no Pacífico.
Lowell chegou a alcançar a categoria 5, considerada a mais alta da escala de furacões, mas perdeu força e está agora na categoria 3. Já Karina atingiu a categoria 4 e reduziu para a 3.
Marie, no entanto, segue se intensificando e a previsão é que ganhe mais força neste fim de semana.
Aquecimento das águas
A incidência de três furacões ao mesmo tempo é extremamente raro de observar e pode ser explicado pelo aquecimento das águas do Pacífico, segundo declarou à AFP a climatologista da Universidade de Michigan, Julia Cole.
"O aquecimento causado pelo El Niño cria as condições para essas tempestades, que são alimentadas em grande parte por águas quentes", explicou a cientista.
O fenômeno deste ano tem 69% de chance de se tornar o mais intenso já registrado, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).
Havaí entra em estado de emergência
Segundo o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC), o furacão Lowell pode causar condições perigosas perto da costa do Havaí, o que fez com que o estado americano entrasse em estado de emergência, conforme noticiado pelo UOL.
"As ondas provocadas pelo Lowell se propagam para o norte e vão afetar algumas partes do Havaí nos próximos dias", disse o NHC.
O El Niño ocorre a cada dois a sete anos, quando os ventos alísios, correntes leste-oeste que normalmente retêm as águas quentes no Pacífico Ocidental, enfraquecem temporariamente, o que faz com que essas águas subam para a superfície e se desloquem para o leste.
Quando as temperaturas se mantêm por vários meses acima do normal, mais tempestades são geradas na região, o que repercute em toda a atmosfera do planeta.
Em 2015, quando foi registrado outro El Niño particularmente forte, ocorreu uma sucessão de quatro ciclones.