O anatomista alemão Gunther von Hagens, conhecido por suas exposições de cadáveres humanos, morreu aos 81 anos na última sexta-feira (24). O óbito foi confirmado por sua equipe nesta segunda-feira (27). Seu corpo deverá ser "plastinado" por meio da mesma técnica de conservação desenvolvida por ele, em 1977, na Universidade de Heidelberg.
"Com profunda tristeza, sua família e o Instituto de Plastinação anunciam o falecimento do doutor Gunther von Hagens, inventor da plastinação e criador das exposições Body Worlds, ocorrido em 24 de julho de 2026, aos 81 anos", escreveu a organização em um comunicado.
Von Hagens faleceu após uma "longa e grave doença". O anatomista chegou a ser apelidado de "Doutor Morte" após criar um método inusitado de conservação dos tecidos humanos.
A "plastinação" consiste em extrair a água e a gordura dos tecidos e substituí-las por silicone ou resina epóxi.
Depois de realizar a plastinação, ele expunha corpos humanos e de animais em diferentes posturas. Com isso, era possível observar músculos, esqueletos e órgãos. Essas exposições, apresentadas em vários países, despertaram polêmicas e, em algumas ocasiões, autoridades tentaram proibi-las.
Gunther von Hagens pediu para corpo ser plastinado
O anatomista manifestou o desejo de que o próprio corpo fosse plastinado após sua morte. "Sua família anunciou que respeitará e cumprirá essa vontade", afirma o comunicado.
Sua equipe ainda apontou que suas exposições contribuíram para "tornar a anatomia acessível ao grande público", fomentando "a reflexão sobre saúde, doença, estilos de vida e mortalidade".
Gunther von Hagens também foi descrito como "um pioneiro, um pesquisador, um inventor" e um "pensador iconoclasta e por vezes controverso".
A exposição permanente que ele inaugurou em Berlim em 2015 enfrentou forte oposição das autoridades locais, que levaram o caso aos tribunais por considerarem que violava a legislação. No entanto, a Justiça acabou dando razão aos seus organizadores.
Em Moscou, autoridades abriram temporariamente uma investigação em 2021 ao entenderem que a exposição poderia infringir as "normas morais" e a legislação russa.