Milhares de imigrantes marroquinos partiram cercas e cruzaram a fronteira com a Espanha, nesta quinta-feira (30). Nove deles foram encontrados sem vida ao tentarem nadar até a cidade de Ceuta, segundo um porta-voz do governo espanhol à AFP.
Estima-se que entre 2.000 e 3.000 pessoas tenham realizado a travessia. A situação levou Madri a enviar o exército para garantir a segurança durante a "emergência humanitária".
Esses imigrantes se somam a outros 1,5 mil que chegaram ao enclave de Ceuta nos últimos dias. Em vídeos divulgados nas redes sociais, é possível ver que algumas das pessoas gritavam "Viva a Espanha" ao entrar no território.
A migração para os territórios espanhóis de Ceuta e Melilla é uma questão sensível entre os dois países. Ambas as cidades registram periodicamente picos de tentativas de travessia por parte de imigrantes que buscam chegar à Europa.
Devolução 'o quanto antes'
O governo espanhol definiu com Rabat, a capital do Marrocos medidas para devolver "o quanto antes" ao país "todas as pessoas que entraram ilegalmente em Ceuta".
O chefe do Executivo, Pedro Sánchez, viajará amanhã a Ceuta, acompanhado do ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska.
"Estamos em uma situação de absoluta emergência humanitária e social", advertiu o prefeito-presidente de Ceuta, Juan Vivas, em entrevista ao canal público TVE.
"Nos últimos dias, mais de 1.500 imigrantes chegaram a Ceuta por via marítima", em um ritmo de "200 pessoas por dia", de modo que "os centros de acolhimento estão colapsados e superlotados", ressaltou.
Reação internacional
A ocorrência no enclave espanhol gerou forte repercussão de diversos países europeus. A Itália expressou descontentamento com a Espanha ao sugerir a suspensão do Marrocos do espaço Schengen, a zona livre de circulação entre 29 países do continente.
"As imagens que chegam de Ceuta mostram o quanto a decisão do Governo de Madri de conceder a cidadania espanhola" a imigrantes irregulares "é profundamente equivocada e fomenta o tráfico de pessoas", publicou no X o chanceler italiano, Antonio Tajani.
Já na Espanha, Alberto Núñez Feijóo, líder do Partido Popular, de oposição ao governo, também afirmou em um post no X que "a situação em Ceuta é desesperadora. O governo não pode ignorar o problema... pois estamos diante de uma crise de segurança nacional".