Livro de ex-funcionária do Google relata cultura tóxica e retaliações na big tech

'Don't Be Evil' foi publicado em agosto nos Estados Unidos.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
03 de Outubro de 2026 - 09:42
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Legenda: Claire Stapleton narrou dificuldades que viveu e observou na empresa ao longo de mais de 10 anos.
Foto: Reprodução/LinkedIn.

Um livro escrito por uma ex-funcionária do Google relata uma série de problemas relacionados à uma cultura tóxica na empresa. A escritora e ativista pelos direitos trabalhistas Claire Stapleton narrou as problemáticas, observadas de perto durante os 12 anos em que trabalhou na big tech, em "Don't Be Evil" ("Não Seja Mau", em português, antigo lema da companhia).

Ao entrar no Google, recém-formada, Claire foi designada para a área de comunicações internas, e logo passou a redigir comunicados em nome dos chefes da organização na sede da empresa, na Califórnia.

Ela deixou o Google em 2019, após se tornar uma liderança trabalhista importante na empresa e ajudar a organizar um protesto com mais de 20 mil trabalhadores contra a má conduta da companhia para lidar com combate ao assédio sexual. Segundo informações publicadas na Folha de S.Paulo, a ex-funcionária relata ter sofrido retaliação pelo movimento.

O caso que levou ao protesto histórico começou quando o jornal New York Times revelou, em outubro de 2018, que o Google havia negociado um acordo de U$S 90 milhões com Andy Rubin, criador do Android, após ele receber denúncias de assédio sexual.

Ele saiu da companhia em 2014, com os reais motivos de desligamento ocultos pela empresa. O caso tornou-se ponto de partida para que funcionários se organizassem em um levante contra a cultura corporativa do Google.

No livro, Stapleton relata que, ao ajudar a organizar o protesto, recebeu mais de 350 relatos de assédio, discriminação, abusos, retaliação e dificuldades de apoio do setor de Recursos Humanos.

Nos meses seguintes ao movimento, Claire e outras lideranças trabalhistas da empresa relatam ter sofrido retaliações, como deixar de participar de projetos, transferência frequente de setores e se tornar alvo de "investigações internas".

Na época, ao denunciar as condutas, ela diz ter ouvido de uma executiva do RH que deveria tirar uma licença por saúde mental e de uma chefe que deveria aprender a se "comunicar melhor".

Além de relatos de Claire, "Don't Be Evil" traz experiências de dezenas de outros funcionários que relatam desorganização e má conduta corporativa na big tech. O livro foi lançado em agosto deste ano pela editora William Morrow, selo da HarperCollins, mas ainda não tem previsão de lançamento no Brasil.