Líderes da Finlândia pedem adesão à Otan e Rússia se considera ameaçada

Candidatura finlandesa é consequência direta da guerra na Ucrânia e provavelmente será imitada por uma demanda similar da Suécia

Tanque de batalha Leopard
Legenda: Líderes da Finlândia pedem adesão à Otan 'sem atrasos'
Foto: Heikki Saukkomaa / Lehtikuva / AFP

O presidente e a primeira-ministra da Finlândia se declararam favoráveis a uma adesão "sem demora" à Otan e afirmaram que a decisão do país nórdico será anunciada, a princípio, no próximo domingo (15).

"Ser membro da Otan reforçaria a segurança da Finlândia. Como membro da Otan, a Finlândia também reforçaria a Aliança em seu conjunto. A Finlândia deve ser candidata à adesão sem demora", afirmaram em um comunicado publicado nesta quinta-feira (12) o presidente Sauli Niinisto e a primeira-ministra Sanna Marin.

Os dois líderes políticos pretendem conceder uma entrevista coletiva no domingo sobre "decisões que envolvem a política em termos de segurança da Finlândia", no que será o momento de oficializar o pedido. A posição deles estabelece a tendência do país, que tem uma fronteira de 1.300 quilômetros com a Rússia, com a qual tem um passado doloroso.

A candidatura finlandesa é uma consequência direta da guerra na Ucrânia e provavelmente será imitada por uma demanda similar da Suécia, aguardada para os próximos dias.

A invasão da Ucrânia pelas tropas da Rússia, iniciada em 24 de fevereiro, levou a opinião pública finlandesa a apoiar a adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte. O mesmo acontece na Suécia.

Atualmente, 76% dos 5,5 milhões de finlandeses se declaram favoráveis à adesão, de acordo com uma pesquisa publicada na segunda-feira (9). Antes da guerra na Ucrânia, o apoio era de 25%.

No Parlamento, a maioria dos 200 deputados também é favorável. A decisão formal sobre a adesão deve ser tomada por um Conselho sobre a Segurança e Política Externa, que reúne o chefe de Estado, a chefe de Governo e vários ministros.

Rússia alega ameaça

A Rússia reagiu imediatamente à notícia e considerou que "sem dúvida" será uma ameaça para o país, nas palavras do porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. "A ampliação da Otan e a aproximação da Aliança de nossas fronteiras não tornam o mundo nem o nosso continente mais estáveis e seguros", disse Peskov à imprensa.

Já o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, celebrou o novo passo da Finlândia e declarou que a candidatura "seria recebida calorosamente, com um processo fluído e rápido".

Os deputados finlandeses se reunirão na próxima segunda-feira (16) para examinar a proposta do governo e votar posteriormente, informou o presidente da Câmara, Matti Vanhanen. "Aderir à Otan não é uma decisão que vai contra ninguém", disse o presidente finlandês na quarta-feira, em uma resposta às advertências da Rússia sobre o tema.

Para ele, que durante anos apostou em um diálogo Leste-Oeste, a Rússia só pode culpar a si mesma ao observar a união do país vizinho à Aliança."Se aderimos à Otan, minha resposta à Rússia seria: 'Vocês provocaram isto, olhem no espelho'", disse o presidente.

 

 

 

 

 

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