O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) comunicou, na noite deste sábado (11), a execução de uma terceira rodada de bombardeios contra o Irã nesta semana. Cerca de 140 alvos militares iranianos foram atingidos pelas forças armadas americanas nesta recente ofensiva. As informações são do g1.
A operação aconteceu horas após o Irã fechar o Estreito de Ormuz e realizar ataques a bases dos Estados Unidos em países do Golfo Pérsico.
A informação foi divulgada através do perfil do Centcom no X, que antes do ataque publicou fotos de jatos de caça F-16 sendo reabastecidos durante voo de patrulha no Oriente Médio.
O ataque americano destruiu diversas estruturas iranianas, como bases de drones e mísseis, instalações navais e depósitos de munição, além de redes de comunicação e postos de vigilância costeira.
Em apenas três noites de operações nesta semana, as forças militares dos Estados Unidos já atingiram mais de 300 alvos no território iraniano.
A mídia do Irã relatou a ocorrência de explosões em cidades do sul do país, como Bandar Abbas, Jask e Sirik, além da ilha de Qeshm e da província do Khuzistão, que faz fronteira com o Iraque. Não existem registros imediatos de pessoas feridas ou mortas.
Crise no Estreito de Ormuz
O ataque realizado neste sábado, segundo o Centcom, serviu como resposta direta ao bloqueio da navegação e ao ataque a uma embarcação comercial no Estreito de Ormuz.
O governo de Teerã argumentou que atirou apenas para alertar um navio que trafegava por um caminho não permitido, e ameaçou retaliar qualquer ação contrária.
"Várias embarcações tentaram seguir uma rota não autorizada e ignoraram nossos avisos e sinais", disse a instituição. "Uma embarcação que comprometeu a segurança marítima ao desativar seus sistemas foi atingida por tiros de advertência e detida", completou.
De acordo com as forças dos Estados Unidos, o navio atingido é o M/V GFS Galaxy, um cargueiro de contêineres que carrega a bandeira do Chipre. Os militares apontam que a sala de máquinas sofreu danos severos e um funcionário civil da tripulação está desaparecido.
A UKMTO, agência britânica de segurança marítima, relatou que o ataque causou um incêndio e forçou a tripulação a fugir em botes salva-vidas. O incidente ocorreu a cerca de 17 km a leste da Península de Musandam, pertencente a Omã.
Atualmente, o Irã exige que os navios usem somente uma rota próxima à sua costa e recusa a antiga livre passagem no estreito. Os Estados Unidos são contrários a essa exigência iraniana.
A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) avisou que a passagem marítima continuará fechada "até novo aviso" e até acabar a "interferência dos Estados Unidos" no local. O aviso também diz que o "inimigo" receberá uma "resposta severa" se aproveitar a situação para agir militarmente.
Disparos contra países vizinhos e negociações
Após os confrontos no estreito, o Irã atacou nações da vizinhança. Autoridades do Kuwait e dos Emirados Árabes Unidos registraram ataques vindos do ar.
No Bahrein, sirenes de alerta tocaram, enquanto no Catar a defesa antiaérea interceptou mísseis e jornalistas relataram barulhos de explosões perto de Doha.
A Guarda Revolucionária iraniana declarou ter atacado uma base americana no Catar "em resposta aos ataques contínuos dos Estados Unidos".
O vizinho Omã também foi alvo. O Irã disse ter destruído bases de apoio de porta-aviões americanos localizadas no porto de Duqm. A Jordânia reportou ter sido alvo de três mísseis vindos do Irã.
Apesar das ofensivas, delegações de Irã e Omã sentaram para negociar no sábado (11), com o auxílio do Catar. Diplomatas do Irã afirmaram: "os futuros arranjos para a gestão do tráfego no Estreito de Ormuz devem ser elaborados conjuntamente pelos dois Estados costeiros".
Os países também "concordaram em continuar as discussões nos níveis político, técnico e jurídico para chegar a um consenso sobre a segurança da navegação no Estreito".
Fim do cessar-fogo e tensão política
Anteriormente, no dia 17 de junho, os governos de Washington e Teerã assinaram um memorando para tentar finalizar a guerra em 60 dias através de um cessar-fogo.
No entanto, o presidente americano, Donald Trump, declarou repetidas vezes que o acordo havia "encerrado devido aos ataques iranianos contra navios", mesmo mantendo as negociações abertas.
Na última sexta-feira, Trump acusou o governo iraniano de planejar o seu assassinato, prometendo "dizimar e destruir completamente todas as regiões do Irã" caso o plano aconteça.
Pelo lado iraniano, o atual líder supremo do país, Mojtaba Khamenei, avisou no sábado que a "vingança" é "inevitável". A declaração aconteceu após o funeral de seu antecessor e pai, Ali Khamenei, que faleceu no início do conflito.