A idosa Maricarmen Abascal, cujo despejo causou uma onda de protestos na Espanha, faleceu aos 87 anos nesta quarta-feira (7). O óbito, divulgado pelo Sindicato de Inquilinas, ocorreu 14 dias após ela ser despejada do apartamento onde morou por 70 anos.
No dia 23 de setembro, Maricarmen foi retirada de seu domicílio no bairro Retiro, em Madri, por autoridades policiais e encaminhada a um hospital da cidade, onde ficou internada até morrer.
A idosa sempre pagou o aluguel, que era no valor de 500 euros mensais, cerca de R$ 3 mil. No entanto, a empresa proprietária do imóvel aumentou o aluguel em mais de 275% nos últimos anos. O valor chegou em € 2.650 euros (cerca de R$ 16.960), ficando fora da renda dela, que recebia uma aposentadoria de 1.350 euros, cerca de R$ 7,9 mil.
O sindicato ressaltou o "exemplo de luta" da idosa e a onda de reações após seu despejo, que "representam um antes e um depois na história deste país". Cerca de 25 mil pessoas participaram do protesto e 500 acompanharam na praça Puerta del Sol, segundo dados do governo espanhol.
A imagem de Maricarmen saindo de maca do apartamento, em meio aos gritos de indignação dos manifestantes, gerou uma indignação. Houve uma onda de mobilizações que se espalhou por várias cidades espanholas.
"Após sua partida, ficamos com o exemplo de luta e o legado que Maricarmen deixou. E, acima de tudo, vamos cumprir o que ela sempre nos pedia: 'Lutem, continuem lutando pelo que é de vocês'”.
"O debate da moradia está no centro, mas o custo para chegar até aqui foi alto demais", lamentou o Sindicato das Inquilinas, que acompanhou a longa batalha judicial de Maricarmen.
Manifestações pelo direito à moradia na Espanha
Poucos dias após o despejo da idosa, uma manifestação em Madri pelo direito à moradia culminou com a instalação de um acampamento de protesto na Porta do Sol, no centro da cidade.
O governo promoveu depois dois decretos com medidas para tentar mitigar a crise habitacional, mas esses textos foram derrubados na última sexta-feira (2), pela Câmara dos Deputados, sendo um revés para o presidente Pedro Sánchez.
Na segunda-feira (5), o político anunciou a convocação de eleições gerais antecipadas para 29 de novembro.