Milhares de manifestantes se uniram, no último sábado (26), para protestar contra o despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos, do apartamento por onde morou por 70 anos em Madri, após o aluguel subir para R$ 16 mil.
Cerca de 25 mil pessoas participaram do protesto e 500 acompanharam na praça Puerta del Sol, segundo dados do governo espanhol.
Os manifestantes exigiram mudanças nas leis de aluguéis e despejos. De acordo com os presentes, os protestos devem seguir até as autoridades espanholas atenderem às suas reivindicações.
Representantes do Sindicato dos Inquilinos de Madri defendem a proibição de compra de imóveis quando o comprador não pretenda residir na casa. Protestantes divulgaram o lema "Ou o rentismo cai ou o governo cai". Rentista se refere ao proprietário do imóvel.
O sindicato ainda exige uma maior proteção do Estado com os inquilinos, em caso de despejo ou de descumprimento de leis por parte dos locadores.
Acampados em barracas em frente à sede do governo regional de Madri, os participantes também realizam assembleias, oficinas, discursos e apresentações musicais durante a ocupação.
Madri não foi a única cidade a receber os protestos pela reivindicação às melhorias de moradia. Barcelona, Alicante e Santiago de Compostela também registraram mobilização.
Despejo da idosa
Os protestos em massa são uma reação ao caso da idosa Maricarmen Abascal, de 87 anos, que foi despejada do apartamento por onde viveu durante 70 anos, desde que seu pai assinou o contrato de aluguel em 1956.
Dezenas de ativistas se comoveram com a história e se reuniram em frente ao edifício, tentando impedir o despejo. Segundo apoiadores, a idosa sempre pagou o aluguel, que era no valor de 500 euros mensais, cerca de R$ 3 mil.
Maricarmen foi retirada do apartamento de 92 m², localizado no bairro do Retiro, na última quarta-feira (23) após o valor de seu aluguel ter aumentado 275% nos últimos anos, chegando ao preço de € 2.650 euros (cerca de R$ 16.960).
Com a alta do valor, a idosa não conseguiu manter o pagamento exigido pela empresa proprietária do imóvel. A idoso tinha como renda sua aposentadoria mensal de 1.350 euros, cerca de R$ 7,9 mil.
Ela morou no apartamento na rua Alcalde Sainz de Baranda por sete décadas, desde que o pai assinou um contrato de aluguel em 1956.
Processo na justiça da Espanha
Maricarmen passou por um litígio de vários anos, mas a Justiça espanhola decidiu a favor da empresa proprietária do imóvel e executou o despejo da idosa.
Com mobilidade reduzida e 50% de incapacidade, Maricarmen precisou deixar o apartamento com cadeira de rodas e foi levada direto ao hospital.
Reação do governo
O presidente Pedro Sánchez disse que o governo está trabalhando para levar um decreto sobre habitação à reunião do Conselho de Ministros na próxima terça-feira (29).
A vice-presidente Yolanda Díaz apoiou a movimentação dos manifestantes e pediu medidas contra os fundos imobiliários.
A prefeitura de Madri, governada pelo partido PP, oposição ao presidente Pedro Sánchez, criticou a mobilização e a ocupação dos protestantes, além de ter acusado o governo espanhol de "omisso".