A detenta Christa Pike, que foi condenada à pena de morte nos Estados Unidos e sobreviveu à execução após receber duas injeções letais, disse que "despertou confusa" e com dores constantes.
Essa foi a primeira declaração pública de Pike desde a tentativa fracassada de execução. Por meio de seus advogados, nesta sexta-feira (30), ela também criticou o governo, afirmando que houve uma "incompetência" que a colocou nesta "situação terrível".
No último dia 30 de setembro, Christa recebeu duas doses letais de pentobarbital, que não conseguiram provocar a morte da mulher. A condenada foi levada em estado crítico a um hospital, mas depois recobrou a consciência.
Christa disse que entrou na câmara de execução preparada para morrer em paz, mas que acordou sozinha e confusa em uma cama de hospital.
“Não houve um único momento, desde aquela noite, em que eu não tenha sentido dor. Meu corpo dói. Meus braços doem. Minhas mãos doem. Minha garganta dói. Ainda tenho dificuldade para falar. E a dor não é apenas física; há dor em minha mente e em minha alma”, disse Pike.
Pike afirmou que não pensava em ter uma vida para além da data de sua execução e ainda mencionou a família da vítima.
“Sinto-me profundamente ferida pela incompetência que colocou tantas pessoas nesta situação terrível. Continuo pensando na família da minha vítima e na dor e na perda terríveis que eles tiveram de suportar”, afirmou Pike.
Ela diz que teme pelo seu futuro e agradeceu o apoio aos profissionais de saúde que salvaram sua vida.
“Não sei por que sobrevivi àquela noite. Não sei o que virá a seguir. Em alguns dias, é mais difícil encontrar esperança do que em outros. Por enquanto, estou tentando me recuperar, um dia de cada vez. E me apego ao amor e à bondade de tantas pessoas que me lembraram de que não estou sozinha”, disse ela.
Relembre crime cometido por Christa Pike
Christa Pike seria a primeira mulher executada no estado de Tennessee em 200 anos se não tivesse sobrevivido às injeções. Ela foi condenada em 1996 por torturar e assassinar a colega Colleen Slemmer, de 19 anos.
Segundo o The Guardian, o assassinato tomou grandes proporções devido ao alto grau de violência, a idade dos envolvidos e ao suposto ritual satânico realizado contra o corpo da vítima.
Christa teve como comparsa o então namorado, de 17 anos. À polícia, a ré afirmou que não tinha a intenção de matar Slemmer inicialmente, mas que cometeu o crime em um "ataque frenético".
A defesa argumentou, desde o julgamento, que Pike teve uma infância envolta em abusos, traumas psicológicos e diagnóstico de transtorno bipolar e de estresse pós-traumático, laudos que foram anexados aos apelos judiciais.
Relembre idas e vindas da execução
A execução de Christa Pike havia sido marcada para 30 de setembro, mas foi suspensa horas antes da aplicação da injeção letal pela Justiça.
Segundo a BBC, o tribunal de apelações afirmou precisar de "mais tempo" para analisar os argumentos do caso de Pike. Apesar da decisão, a Suprema Corte dos EUA autorizou a aplicação letal no mesmo dia.
No entanto, a execução falhou após Christa sobreviver a duas injeções de pentobarbital.
O governador Bill Lee ordenou a suspensão de todas as execuções no estado e uma investigação independente sobre o caso após a falha. O secretário da administração penitenciária pediu demissão do cargo.