Nobel de Medicina de 2026 premia avanços na optogenética, técnica que combina luz e genética

Foram premiados o psiquiatra e neurologista americano Karl Deisseroth e seus colegas alemães Peter Hegemann e Georg Nagel.

Escrito por AFP e Redação
05 de Outubro de 2026 - 21:17 (Atualizado às 21:28)
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Legenda: Na década de 2000, Hegemann e Nagel investigavam por que uma alga unicelular era capaz de nadar em direção a uma fonte de luz.
Foto: JONATHAN NACKSTRAND / AFP.

O Prêmio Nobel de Medicina de 2026 foi concedido, nesta segunda-feira (5), a um cientista americano e a dois alemães pelo trabalho no campo da optogenética, uma disciplina que permite compreender como determinadas células contribuem para a aprendizagem, o medo, o vício e o movimento.

As pesquisas do psiquiatra e neurologista americano Karl Deisseroth e de seus colegas alemães Peter Hegemann e Georg Nagel poderiam levar a eventuais tratamentos para transtornos neurológicos e sensoriais, como a doença de Parkinson e a epilepsia.

O trio foi premiado "pela descoberta de um interruptor molecular para as células nervosas". Utilizando luz, os pesquisadores agora podem ligar ou desligar circuitos neuronais individuais em um cérebro.

"Os pesquisadores conseguiram revelar os circuitos neuronais que controlam memórias, sentimentos e comportamentos específicos relevantes para os transtornos neurológicos e psiquiátricos", afirmou o Comitê do Nobel, reunido em Estocolmo.

OUTRAS UTILIZAÇÕES

Na medicina clínica, os pesquisadores utilizam este método para tentar restaurar a visão em pessoas com deficiência visual.

"A optogenética oferece oportunidades para mapear o cérebro", afirmou Per Svenningsson, presidente do Comitê do Nobel, em um comunicado.

O comitê ressaltou que a "optogenética transformou radicalmente nossa compreensão do cérebro. Todos os dias surgem novas descobertas que ajudam a desvendar um dos grandes mistérios da humanidade: como funciona nosso incrível cérebro".

"Foi ótimo (...) Primeiro liguei para Deisseroth; ele estava muito cansado quando atendeu. Sem dúvida estava dormindo, mas acordou", disse à imprensa o secretário-geral do comitê, Thomas Perlmann, contando que fez o contato para anunciar os vencedores.

"Acho que não vou conseguir dormir por um bom tempo", brincou Deisseroth em uma entrevista concedida à Fundação Nobel.

HISTÓRICO DA PESQUISA

Na década de 2000, Hegemann e Nagel investigavam por que uma alga unicelular era capaz de nadar em direção a uma fonte de luz. Eles descobriram uma proteína da alga com propriedades únicas, chamada canalrodopsina.

Quando é iluminada com luz azul, um canal é aberto através da proteína. Então, íons carregados fluem para o interior da célula, gerando um impulso elétrico.

Eles descobriram que, independentemente da célula na qual introduzissem a proteína, elas se tornavam sensíveis à luz.

Posteriormente, Deisseroth introduziu o gene da canalrodopsina em neurônios de ratos. Ao iluminar as células com luz azul, conseguiu ativar um sinal nervoso.

Ele publicou sua descoberta em 2005 e, dois anos depois, conseguiu fazer com que o interruptor controlado pela luz para os neurônios funcionasse em cérebros de camundongos vivos.

SOBRE OS PESQUISADORES

Deisseroth, de 54 anos, é professor na Universidade de Stanford, enquanto Hegemann, de 71, dá aulas de neurociência na Universidade Humboldt de Berlim. Nagel, de 73 anos, é professor de biofísica na Universidade de Würzburg.

Os laureados receberão um diploma, uma medalha de ouro e um cheque no valor de 1,2 milhão de dólares (6,3 milhões de reais, na cotação atual) do rei Carl XVI Gustaf, em uma cerimônia oficial em Estocolmo, em 10 de dezembro.

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