Três homens foram presos nesta quarta-feira (28) por suspeita de extorsões contra uma empresa prestadora de serviços de internet em Groaíras, no norte do Ceará. O município ficou sem internet nessa terça-feira (27) e teve serviços essenciais e comércio afetados por ameaças do Comando Vermelho (CV).
De acordo com a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) dois homens foram presos em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), e um em Groaíras. Eles são investigados por crime de favorecimento ao domínio social estruturado.
Desde julho de 2025, as Forças de Segurança já capturaram 103 pessoas por ataques contra provedores.
O policiamento em Groaíras foi reforçado nesta semana, "com o intuito de fortalecer a sensação de segurança para comerciantes e moradores".
Suspeitos ameaçaram empresários
Segundo a investigação, dois suspeitos de 18 e 20 anos teriam participado da pichação do muro de uma empresa de internet, dando "24 horas para saírem". Ambos possuem antecedentes criminais.
O terceiro suspeito, de 31 anos, teria dado apoio logístico para os suspeitos durante o crime.
Todas as capturas foram ações coordenadas da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) Fortaleza, da Draco Norte e do Departamento de Polícia Judiciária do Interior Norte (DPI-Norte). A Polícia Militar do Ceará (PMCE) também integrou a ação, com informações do Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio).
Os três homens são investigados por favorecimento ao domínio social estruturado, crime previsto na nova Lei de Combate ao Crime Organizado (Lei Antifacção), que estabelece punições para condutas de adesão, apoio ou promoção, por qualquer meio, a organizações criminosas ultraviolentas. As investigações continuam para elucidar as circunstâncias do caso, a participação do trio em outros crimes e identificar outros possíveis envolvidos.
Sem internet
Segundo o relato de um morador do município, que não será identificado por motivos de segurança, a internet caiu em Groaíras, e ainda afetou outro município vizinho, por volta de meio-dia da terça. Ele comentou que, desde a última sexta-feira (23), ameaças estão sendo transmitidas nas redes sociais e afetando o comércio e outros serviços.
Teria sido instituído um "toque de recolher", que fez estabelecimentos pararem de funcionar no meio da tarde. O CV emitiu "salves" nas redes sociais ordenando que lojas fechem às 15h.
A EdiMelo Telecom confirmou ao Diário do Nordeste ter sido ameaçada pela facção criminosa. A empresa atenderia o posto de saúde, o hospital e as escolas da cidade.
"Olá! Informamos que ocorreu uma instabilidade geral na internet em Groaíras, afetando diversos clientes do nosso e de outros provedores também. Já está sendo verificando para solucionar o problema o mais rápido possível. Pedimos, por favor, que aguarde. Não temos previsão, mas em breve o serviço será normalizado. Agradecemos pela compreensão!", diz comunicado da EdiMelo para clientes.
Um outro provedor, Infolink, que transmite rede para a Prefeitura, também foi afetado.
A SobralNet, uma das empresas ameaçadas, informou que estariam exigindo pagamentos para os provedores locais. Entretanto, em nota, foi informado que "a interrupção dos serviços se deu em decorrência do rompimento de fibras ópticas de um backbone que leva internet a Groaíras. Não se sabe ao certo o motivo do rompimento das fibras".