A execução do empresário do ramo de bares Luciano Victor Melo de Sousa, de 38 anos, conhecido como 'Paulo Padilha', pode ter sido ordenada pela facção criminosa Comando Vermelho (CV) devido a uma dívida de drogas do companheiro dele, Ruan Gabriel Lima da Silva, que também foi vítima do ataque a tiros na Avenida 13 de maio, no Benfica, mas sobreviveu em estado grave. A linha de investigação surgiu após o depoimento de familiares de Paulo Padilha, que foi fundador da primeira Igreja de Lúcifer de Fortaleza, segundo documentos aos quais a reportagem obteve acesso.
A irmã de Paulo Padilha revelou em depoimento à polícia que Ruan Gabriel estaria "decretado" de morte após ter feito uma série de dívidas com drogas. Ruan, que tem passagem por roubos e usava tornozeleira eletrônica, trabalhava atualmente ajudando Luciano na gerência dos bares.
O casal também tinha uma ligação religiosa, pois, segundo depoimentos, Ruan era "filho de santo" de Paulo Padilha na religião Quimbanda.
Ainda conforme o depoimento de uma parente da vítima, um ex-namorado dele ligou para ela logo após o homicídio, informando que já havia avisado a Paulo Padilha o "perigo que ele corria" por andar com Ruan.
O crime aconteceu por volta das 05h20 da última quinta-feira (20), quando as vítimas chegaram em um carro a uma borracharia para encher um pneu furado. Cerca de cinco minutos após a chegada deles ao local, o atirador desceu de uma moto e efetuou diversos disparos de arma de fogo.
Segundo a mãe de Padilha disse em depoimento, ele possivelmente estaria no caminho de casa após passar em seus estabelecimentos comerciais para recolher o lucro do dia. Ele era dono da rede bares Mojubar, nos bairros Benfica e Centro.
Relação com ex-namorado
Apesar de a principal linha de investigação ser o tráfico de drogas, há um segundo elemento trazido por parentes em relação ao ex-namorado do fundador da Igreja de Lúcifer na Capital cearense. O ex teria ameaçado Paulo de morte em mais de uma ocasião, segundo a vítima teria confidenciado à família.
"Se eu pegar você com o Ruan, eu mato os dois", teria dito o homem, com quem a vítima havia se relacionado antes do atual companheiro.
Prisão de suspeito
Um suspeito do crime, identificado como Levi de Oliveira Lima, de 25 anos, já foi preso e teve a detenção convertida em preventiva. Ele foi reconhecido pela irmã de Paulo Padilha e flagrado por câmeras de videomonitoramento. Segundo a irmã da vítima, o suspeito seria um traficante de drogas conhecido no bairro Benfica.
A Polícia Civil cruzou as informações do depoimento com imagens de câmeras de segurança de um estabelecimento comercial onde o suspeito esteve minutos antes do crime. A colaboração de um soldado do Exército de serviço no 23º Batalhão de Caçadores do Exército, que fica próximo ao local do assassinato, também foi essencial para o início da investigação, pois ele descreveu as roupas do executor dos disparos.
Ainda foi descoberto pelos investigadores que a motocicleta utilizada no crime havia sido alugada dias antes da execução. O dono do veículo informou que o suspeito disse que o aluguel era para a realização de entregas.
O sinal de GPS, cedido voluntariamente pelo proprietário da moto, apontou a moto exatamente no local e horário do homicídio. O suspeito foi localizado em sua residência na Rua Padre Mororó, no bairro Farias Brito. No imóvel, os policiais apreenderam:
- Pistola calibre 9mm, com a numeração raspada, compatível com os estojos deflagrados recolhidos na cena do crime.
- Cerca de 4 kg de maconha em sacos plásticos.
- Cerca de 8 kg de comprimidos amarelos
- Três punhais e um coldre.
- Um tênis branco idêntico ao descrito pela testemunha do Exército.