Dois irmãos receberam liberdade provisória da Justiça Federal na última quarta-feira (20), após pagarem fiança de R$ 200 mil. Eles haviam sido presos em Itapipoca, no Interior do Ceará, durante uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro, após serem flagrados transportando R$ 600 mil em espécie. Em depoimento, os empresários afirmaram trabalhar com a extração de carnaúba.
Os suspeitos alegaram que transportavam o dinheiro para pagar funcionários em um município do interior cearense. Segundo eles, essa prática seria comum nesta época do ano. As cédulas estavam guardadas em mochilas.
Orientados pelo advogado, os dois exerceram o direito de permanecer em silêncio durante os depoimentos. A defesa afirma ter apresentado à Justiça informações sobre os destinatários do pagamento e o fornecedor do material utilizado pelos empresários.
Como foi visto até pela própria investigação, o local de trabalho não é um local urbano. É um local menos favorecido, onde pessoas realmente preferem o pagamento em dinheiro. E, por isso, eles têm um histórico de saque. Não foi só agora, nem só em época de eleição. Esse histórico é antigo
A Justiça também determinou a quebra do sigilo dos dados telefônicos dos celulares apreendidos com os irmãos.
“Transportar ou portar dinheiro em espécie é crime? Não. Por isso, me traz surpresa essa quantidade de prisões em razão do dinheiro em espécie. Se dinheiro em espécie fosse crime, o ideal seria não produzi-lo”, afirmou o advogado Cesar Rodrigues.
O advogado acrescentou: “Esses saques precisam ser analisados com cautela. Por mais que o dinheiro em espécie facilite lavagem de dinheiro, não quer dizer que sempre haverá lavagem de dinheiro por trás”.
PF investiga suspeita de lavagem de dinheiro
A Polícia Federal (PF) prendeu em flagrante duas pessoas e apreendeu R$ 600 mil em espécie durante uma abordagem realizada na segunda-feira (19), em Itapipoca. A ação contou com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e integra uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro. O carro de alto padrão em que os dois estavam também foi apreendido.
Segundo a PF, os investigadores receberam informações de que os suspeitos transportavam dinheiro em um veículo com o objetivo de dificultar o rastreamento do destino dos recursos.
Durante a abordagem, os policiais localizaram o dinheiro com os dois investigados. De acordo com a PF, eles não apresentaram justificativa considerada plausível para transportar o valor em espécie nem para deixar de utilizar o sistema bancário.
A investigação também poderá apurar crimes de associação criminosa e contra a Administração Pública, entre outras infrações penais.