O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) denunciou à Justiça nesta sexta-feira (28) a policial militar Júlia Natália Girão Gomes e o marido dela, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, pela morte do soldado da Polícia Militar Raphael Sampaio da Silva. O casal já havia sido indiciado pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) por homicídio qualificado no caso, que ganhou repercussão após o policial ser encontrado morto e ter o corpo carbonizado na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).
Além de homicídio qualificado, o MP do Ceará adicionou na denúncia os crimes de destruição de cadáver e fraude processual, que não constavam no indiciamento da PCCE.
A denúncia foi enviada ao Poder Judiciário após análise do inquérito policial encaminhado pela Delegacia de Homicídios contra Agentes de Segurança Pública.
Com o recebimento da denúncia, caberá agora à Justiça decidir se transforma os dois denunciados em réus e dá início à fase de instrução processual.
Crime premeditado
Segundo as investigações, o crime pode ter sido premeditado pelo casal. Conforme a apuração policial, Júlia teria pago R$ 50 a um colega de Corporação para trocar de plantão e trabalhar na data do crime. Após o expediente, ela pediu carona ao soldado Raphael Sampaio. Os dois seguiram até uma rua no bairro Jangurussu, em Fortaleza, onde a policial morava com o marido.
A investigação aponta que os disparos que mataram o PM ocorreram a cerca de 30 metros da residência do casal. Imagens e outros elementos reunidos durante o inquérito indicam que um segundo veículo se aproximou do carro da vítima momentos antes dos tiros. A Polícia Civil sustenta que esse automóvel pertencia a Antoneudo Ribeiro Lima Júnior.
Ainda de acordo com os investigadores, após o homicídio, o corpo de Raphael foi levado para Itaitinga, onde o veículo dele foi incendiado. Laudos periciais também apontaram que Antoneudo apresentava lesão compatível com queimadura de segundo grau, fato considerado relevante para o andamento das apurações.
Soldado teve liberdade negada
A Justiça do Ceará negou na última terça-feira (25) o pedido de habeas corpus em favor da soldado Júlia Natália, e ela permaneceu presa. A defesa da policial também havia representado pela substituição da prisão preventiva por domiciliar, mas a possibilidade também foi negada pela desembargadora Andréa Mendes Bezerra Delfino, relatora do caso e integrante da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE).
A liminar foi negada, mas o mérito do habeas corpus ainda será julgado pelo Colegiado da Câmara. Segundo a decisão, o inquérito da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) trouxe mais elementos contra Júlia, como a insistência da troca do plantão por R$ 50, e os indícios de mentiras em interrogatório, além da gravidade do crime.
"Considerando que a paciente é investigada pelo crime de homicídio (...) não há manifesta ilegalidade pela não substituição da prisão preventiva por domiciliar", destacou trecho do documento judicial ao qual o Diário do Nordeste obteve acesso.
Os depoimentos colhidos durante a investigação indicam que Raphael e Júlia mantinham um relacionamento extraconjugal. A Polícia Civil apontou indícios de que o crime teria sido motivado por ciúme, possessividade e sentimento de retaliação.