Relator da PEC da Segurança apresenta parecer sem discussão sobre redução da maioridade penal

Rogério Carvalho (PT-SE) defendeu manutenção do texto aprovado pela Câmara dos Deputados.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
03 de Novembro de 2026 - 18:40 (Atualizado às 18:41)

O relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, o senador Rogério Carvalho (PT-SE), defendeu, nesta terça-feira (3), a manutenção do texto aprovado pela Câmara dos Deputados e apresentou parecer deixando de fora a discussão sobre o tema da redução da maioridade penal. Segundo ele, as emendas apresentadas por Rogério Marinho (PL-RN) e Camilo Santana (PT-CE) devem tramitar como independentes. 

O pedido seria resultado de várias reuniões entre integrantes do governo federal e lideranças do Senado para tentar garantir a aprovação da proposta ainda nesta terça-feira (3). Segundo o jornal Folha de S. Paulo, um dos encontros teria ocorrido entre líderes da base do governo e comandado pelo ministro de Relações Instituciona, José Guimarães. 

Caso passe por alterações no Senado, a proposta precisará retornar à Câmara dos Deputados, o que poderia prolongar a tramitação.

Rogério Carvalho (PT-SE) ainda apresentou uma emenda de redação para ajustar a competência do Congresso de sustar atos normativos do CNJ e do CNMP.

Ao ser questionado sobre a inclusão das emendas na PEC, ele defendeu novamente que a discussão sobre a redução da maioridade penal continue de outra forma. "Vamos manter a discussão, mas fora da PEC da Segurança. Queremos que a PEC seja aprovada hoje", disse o relator.

Como relator, Carvalho argumenta que a redução da maioridade penal exige discussão específica, justamente pelo assunto envolver divergências jurídicas e políticas que não poderiam ser resolvidas durante a votação da PEC da Segurança. Ele diz que o tema extrapola o objetivo central da proposta.

Senador propôs que as emendas apresentadas por Rogério Marinho (PL-RN) e Camilo Santana (PT-CE) tramitem como independentes.
Legenda: Senador propôs que as emendas apresentadas por Rogério Marinho (PL-RN) e Camilo Santana (PT-CE) tramitem como independentes.
Foto: Carlos Moura/Agência Senado.

As duas propostas de emenda para a redução da maioridade são distintas. A de Marinho prevê a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos como regra geral e para 14 anos em casos de crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo e participação em organizações criminosas. 

Enquanto isso, a proposta de Camilo propõe a responsabilização criminal a partir dos 16 anos exclusivamente para crimes hediondos, mantendo os 18 anos para os demais crimes.

O que é a PEC da Segurança?

A PEC 18/2025 estabelece novas diretrizes para a atuação dos órgãos de segurança pública e amplia a participação do governo federal no enfrentamento ao crime organizado. 

Entre os principais pontos está a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição, com previsão de integração entre União, estados, Distrito Federal e municípios.

Além disso, o texto prevê o endurecimento das regras penais para integrantes de facções criminosas, milícias e organizações paramilitares, com medidas mais rigorosas para lideranças desses grupos. 

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