Na história das eleições presidenciais no Brasil, nenhum candidato conseguiu virar uma disputa no segundo turno. Desde a redemocratização e a promulgação da Constituição Federal de 1988, que reestabeleceu o voto direto e instituiu o modelo de dois turnos no País, o candidato que terminou a primeira etapa da votação na frente sempre confirmou a vitória nas urnas.
O formato ocorreu, pela primeira vez, na eleição de 1989. Desde então, foram realizadas nove corridas pela Presidência da República e, em sete delas, os dois primeiros colocados foram para o segundo turno, de modo que o lider do primeiro turno se manteve na primeira colocação.
Veja o histórico:
- 1989: Fernando Collor (no extinto PRN) liderou o primeiro turno com 30,48% dos votos válidos e venceu a eleição no segundo turno com 53,03%. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou em segundo lugar em ambas as etapas, registrando 17,19% no primeiro turno e 46,97% no segundo.
- 1994: Fernando Henrique Cardoso (PSDB) venceu a eleição ainda em primeiro turno, com dos 54,28% votos válidos, sem necessidade de segunda rodada.
- 1998: Fernando Henrique Cardoso foi reeleito também no primeiro turno, alcançando 53,06% da votação válida.
- 2002: Lula ficou em primeiro lugar no primeiro turno, com 46,44% dos votos, e confirmou a vitória no segundo turno com 61,27%. José Serra (PSDB) obteve 23,20% e 38,72%, respectivamente.
- 2006: Lula encerrou a primeira fase à frente, com 48,61%, e venceu o segundo turno com 60,83% dos votos válidos. Geraldo Alckmin (PSDB) registrou 41,64% no primeiro turno e 39,17% na etapa final.
- 2010: Dilma Rousseff (PT) terminou o primeiro turno em primeiro lugar, com 46,91%, e garantiu a eleição no segundo turno com 56,05%. José Serra ficou com 32,61% e 43,95%.
- 2014: Dilma Rousseff obteve 41,59% no primeiro turno e venceu o segundo turno com 51,64% dos votos válidos, enquanto Aécio Neves (PSDB) registrou, respectivamente, 33,55% e 48,36%.
- 2018: Jair Bolsonaro (no então PSL) liderou o primeiro turno com 46,03% dos votos válidos e venceu o segundo turno com 55,13%. Fernando Haddad (PT) somou 29,28% e 44,87% nas duas fases.
- 2022: Lula terminou o primeiro turno na frente com 48,43% e venceu o segundo turno com 50,90% dos votos válidos. Jair Bolsonaro marcou 43,20% no primeiro turno e 49,10% no segundo.
Quando há segundo turno?
De acordo com a Constituição de 1988, a realização do segundo turno ocorre quando nenhum candidato ao Executivo (presidente, governadores e prefeitos de cidades com mais de 200 mil eleitores) obtém a maioria absoluta dos votos válidos na primeira votação — ou seja, mais de 50% dos votos, desconsiderando os votos brancos e nulos.
No primeiro turno das eleições de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 47,03% dos votos válidos (56,1 milhões de votos), enquanto o incumbente Luiz Inácio Lula da Silva obteve 45,16% (53,8 milhões de votos).
Os dados apurados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontaram uma diferença inicial de 47,45% a 44,66% no encerramento da apuração. Como nenhum dos concorrentes atingiu a metade mais um dos votos válidos no dia 4 de outubro, a Justiça Eleitoral confirmou a disputa de segundo turno entre os dois candidatos.
Pesquisas apontam empate técnico no 2º turno
As pesquisas de intenção de voto mais recentes divulgadas para o segundo turno mostram um cenário de disputa equilibrada entre os candidatos do Partido Liberal (PL) e do Partido dos Trabalhadores (PT).
No levantamento do Datafolha, divulgado nesta quinta-feira (22), Flávio Bolsonaro aparece com 47% das intenções, e Lula registra 46% no votos totais. Já na pesquisa Quaest, divulgada na quarta-feira (21), o candidato do PL soma 45% e o candidato do PT tem 44%.
Ambas as pesquisas possuem margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. Por estarem dentro da margem de erro nos dois levantamentos, os resultados configuram situação de empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula na corrida presidencial.
Viradas nas eleições para governos estaduais
Se no cenário nacional para o Palácio do Planalto uma reviravolta nunca foi registrada, o histórico das eleições estaduais traz um panorama diferente, com viradas conhecidas do eleitorado.
Em 1990, Paulo Maluf (à época no PDS) liderou a primeira fase da corrida eleitoral pro Governo de São Paulo com 43,50%, mas Luiz Antônio Fleury (no antigo PMDB) virou no segundo turno e venceu com 51,77%. Os paulistas fizeram o fenômeno se repetir em 1998, quando Mário Covas (PSDB) passou ao segundo turno em desvantagem contra Maluf e conseguiu reverter a disputa no segundo turno.
Nas eleições de 1994, na disputa pelo Governo de Minas Gerais, Hélio Costa (na época no PP) liderou o primeiro turno com 48,30% contra 27,20% de Eduardo Azeredo (PSDB). No segundo turno, Azeredo reverteu a desvantagem e se elegeu governador com 58,65% dos votos válidos.
Em 2022, houve viradas em quatro estados. No Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (à época filiado ao PSDB) venceu Onyx Lorenzoni (naquela época no PL); em Pernambuco, Raquel Lyra (que era filiada ao PSDB) superou Marília Arraes (à epoca no Solidariedade); no Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (que era membro do PSDB) ganhou do Capitão Contar (que estava no PRTB); e em Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD) derrotou Rogério Carvalho (PT).