O deputado estadual eleito Tancredo dos Santos (PL) afirmou que pretende apresentar um pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a atuação do crime organizado no Ceará logo após assumir o mandato na Assembleia Legislativa (Alece), em fevereiro de 2027.
Em entrevista à live do PontoPoder, nessa quinta-feira (5), o parlamentar disse que a iniciativa será seu primeiro ato na Casa e que buscará apoio de deputados governistas e oposicionistas para viabilizar a investigação.
“Eu quero apresentar uma proposta para abrir uma CPI do crime organizado. Eu quero que isso seja investigado, eu quero botar político corrupto na cadeia, político que é patrocinado pelo crime organizado na cadeia”, declarou.
Tancredo, que recebeu 151.396 votos e foi o candidato a deputado estadual mais votado nas eleições de 2026, afirmou que a investigação deve buscar possíveis vínculos entre agentes políticos e organizações criminosas.
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Para viabilizar a comissão, Tancredo terá de buscar o apoio de outros parlamentares. A criação de uma CPI na Assembleia depende de requerimento subscrito por pelo menos um terço dos deputados estaduais, equivalente a 16 dos 46 integrantes da Casa, além da definição de um fato determinado a ser investigado e de prazo para os trabalhos.
Como a oposição permanecerá minoritária na próxima legislatura, o deputado eleito reconheceu que precisará dialogar com integrantes da base do governador Elmano de Freitas (PT).
“Eu vou bater de porta em porta de gabinete, porque isso aí não se trata de direita nem de esquerda, se trata de um clamor popular. As pessoas necessitam de mais segurança pública”, afirmou. Tancredo também disse que pretende utilizar as redes sociais para divulgar quais parlamentares irão apoiar ou recusar apoio ao requerimento. “Eu vou usar a minha rede social para isso, para falar: ‘Fui na porta do deputado X e da deputada X e não quiseram assinar’”, declarou.
O parlamentar criticou a possibilidade de deputados deixarem de apoiar a investigação por receio de enfrentar organizações criminosas. Segundo ele, o combate à criminalidade deve ser uma responsabilidade de todos os representantes eleitos, independentemente de alinhamento partidário.
Durante a entrevista, ele afirmou que pretende concentrar sua atuação na fiscalização das políticas de segurança pública e no enfrentamento às facções criminosas. O deputado eleito também criticou a política penitenciária estadual e defendeu mudanças nas regras de funcionamento dos presídios, especialmente em relação às visitas íntimas e à entrada de objetos e materiais destinados aos internos.