A dez dias da eleição, Elmano e Ciro debatem propostas para juventude e educação

O debate ocorreu a dez dias da eleição em primeiro turno, que promete ser acirrada.

Escrito por Ingrid Campos ingrid.campos@svm.com.br
23 de Setembro de 2026 - 21:42
capa da noticia
Legenda: Ciro e Elmano participaram de debate em Fortaleza, a onze dias do primeiro turno das eleições.
Foto: Kid Júnior.

O governador Elmano de Freitas (PT) e o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), candidatos ao Governo do Ceará, voltaram a se enfrentar em debate eleitoral nesta quarta-feira (23). Temas como educação e juventude ganharam evidência nas argumentações. A programação foi promovida pelo Grupo de Comunicação O Povo na sede da Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Ceará (OAB-CE), em Fortaleza.

Os dois assuntos centrais foram trazidos à tona pelos candidatos ao longo de todos os blocos do programa. A controvérsia sobre a real execução e inauguração das escolas de tempo integral é um exemplo disso. A abertura de postos de trabalho para jovens entre 18 e 24 anos também foi levantado no debate.

A programação ocorreu a dez dias da eleição em primeiro turno, que promete ser acirrada. A pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta, mostrou Ciro Gomes e Elmano de Freitas tecnicamente empatados na disputa pelo Governo do Ceará, com 43% e 41% das intenções de voto, respectivamente. 

Em relação à pesquisa anterior, divulgada no dia 4 de setembro, Ciro oscilou dois pontos para baixo, enquanto Elmano cresceu sete pontos. Por outro lado, os eleitores indecisos representam 8% da amostra, enquanto os votos em branco, nulos e os que não vão votar são 6%. 

No debate desta quarta, os candidatos também discutiram propostas, legados e controvérsias em áreas como saúde, segurança pública, habitação, geração de renda e infraestrutura hídrica. Veja a seguir.

Educação pública

Quando o debate chegou ao tema educacional, os candidatos tiveram trocas de farpas mais incisivas. Ciro Gomes questionou o ritmo de conclusão das obras estaduais de ensino médio. "Entre 2023 e esse ano 2026, você licitou 108 escolas de ensino médio num valor superior a R$ 1 bilhão. Agora dessas 108 escolas, nenhuma, escute bem, nenhuma foi inaugurada. [...] É um verdadeiro escândalo", declarou o postulante do PSDB.

Elmano de Freitas rebateu as declarações do adversário, acusando-o de desconhecer as entregas oficiais do governo e a realidade da infraestrutura escolar. "Quem está fazendo a crítica é quem nunca fez uma escola de tempo integral. Nenhuma. Eu estou fazendo 138, candidato. Já participei de eventos de entrega de escolas de tempo integral", respondeu.

O governador ainda citou a transferência de alunos no interior como prova de funcionamento. "Na periferia de Fortaleza tem escola entregue ao nosso povo, escola de tempo integral. Aqui bem pertinho, saindo da BR-116, a escola Paulo Airton. Agora em setembro, os alunos de Groaíras estão saindo da escola antiga e indo para a escola nova", citou Elmano.

Em réplica, Ciro Gomes contestou as afirmações de Elmano, reivindicou a paternidade do modelo integral e acusou o governo de apadrinhamento político na área pedagógica. "(O pioneirismo) foi meu e a escola se chama Cirão. Tem lá em Juazeiro do Norte, em Sobral e em Fortaleza, mas de fato a expansão veio com Cid, uma pessoa que você destaca quando lhe convém e ‘esculhamba’ quando não convém", argumentou o tucano.

Na tréplica, Elmano explicou que cada unidade demandou licitação e parceria própria com as prefeituras locais e projetou o avanço tecnológico das salas de aula. "Nós precisamos incrementar ainda mais com inteligência artificial, mas sempre (tendo) o professor e o gestor como os elementos centrais no avanço da educação do Ceará", ressaltou.

Políticas para a juventude

A vulnerabilidade social dos jovens também teve destaque no debate. Ciro Gomes trouxe indicadores sobre o contingente de cearenses que não estudam e não trabalham, afirmando que a situação é mais grave entre as mulheres. "O Ceará tem hoje 30%, quase um terço dos jovens de 18 a 24 anos, sem oportunidade nem de estudar, nem de trabalhar, 12 anos depois de vocês estarem mandando e desmandando no Estado. As jovens mulheres são 34%", pontuou Ciro.

Ele também criticou a alocação de recursos públicos para a Secretaria da Juventude no Orçamento Anual do Estado, apontando a consignação de R$ 430 mil em recursos para a pasta ao longo de 2026.  

Em resposta, Elmano explicou que os aportes voltados à juventude estão pulverizados nas verbas de outras secretarias. "Cada escola dessa custa de R$ 10 milhões a R$ 14 milhões. Quando é profissionalizante, vai até R$ 17 milhões cada. Isso é política para a juventude. Também temos um programa de prevenção à violência nos municípios com maiores índices de violência específicos da juventude: o PreVio, com bolsa e formação de jovens", alegou o petista.

Ainda no âmbito da discussão sobre juventude, o governador celebrou a evolução dos postos formais de trabalho no Ceará. "Pela primeira vez na nossa história, nós temos mais trabalhador de carteira assinada do que beneficiário do Bolsa Família – e olha que grande parte desses trabalhadores também são do Bolsa Família, o que demonstra a vontade do nosso povo para trabalhar", enfatizou.

Ciro, por sua vez, contestou a avaliação do adversário, apontando a degradação do rendimento médio dos trabalhadores cearenses. "Nós temos o 3º pior salário médio do País para quem tem carteira assinada e a segunda pior renda média do Brasil para quem está na informalidade, que é mais da metade do nosso povo", rebateu, acrescentando que o Ceará saiu da 15ª para a 25ª posição no ranking nacional de renda familiar.

Pobreza e desenvolvimento econômico

Outros assuntos levantados pelos candidatos foram o cenário de pobreza no Estado e políticas de fomento econômico. Ciro Gomes citou números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, para embasar suas críticas à atual gestão nesse quesito. 

"O Ceará tem hoje 4,2 milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza, ganhando menos de R$ 600 por mês, quando a cesta básica custa R$ 755. Desses aí, nós temos 890 mil cearenses sem nada para comer, ganhando menos de R$ 170 por mês para sobreviver", alertou Ciro.

Elmano rebateu os dados sustentando que sua administração registrou avanços concretos no combate à miséria. "Nós reduzimos de 12% para 9%. Eu retirei, em três anos e meio, 400 mil pessoas da extrema pobreza. Sabe na sua época, candidato, que quando tinha uma seca tinha saque no comércio? Sabe quando tinha saque de merenda escolar porque o povo passava fome?", apontou o governador, ressaltando o fornecimento diário de 130 mil refeições pelo programa Ceará Sem Fome.

Diante do quadro produtivo, Ciro defendeu a formulação de novos instrumentos de atração de empresas para contrapor os efeitos da reforma tributária, à qual faz críticas. "(A reforma) acabou com a estrutura de incentivos. Eu vou propor um novo fundo de desenvolvimento industrial e vou capacitar a juventude nas tecnologias da nova economia digital", disse o candidato do PSDB.

Por sua vez, o chefe do Executivo estadual ressaltou a chegada de grandes empreendimentos como sinal do crescimento econômico regional. "É verdade que esse estado agora tem um polo automotivo ou vai dizer também que é mentira?”, afirmou o postulante petista, citando, ainda, o porto seco de Quixeramobim, a perspectiva de uma estrutura como essa em Missão Velha e o aumento do polo calçadista no Estado.

Gestão da saúde 

Na área de saúde, os candidatos divergiram sobre a centralização ou regionalização dos atendimentos médicos de alta complexidade. Elmano de Freitas cobrou explicações do opositor referente às críticas direcionadas aos grandes hospitais estaduais. 

"Eu fiz o Hospital Universitário, que já fez mais de 25 mil cirurgias e mais de 125 mil procedimentos e lembro que você, em debate, questionou e chamada esse hospital de ‘megalomaníaco’. [...] Queria saber por que esse posicionamento contrário a fazer mais hospitais de alta complexidade", questionou o governador.

Ciro Gomes respondeu questionando a priorização de grandes estruturas físicas na capital em detrimento da qualificação do atendimento no interior. "Se você tem pouco dinheiro, como é a realidade do Ceará, você deve construir um mega hospital de 800 leitos na capital ou dez hospitais de 80 leitos distribuídos nas regiões do estado?", indagou o ex-ministro.

Elmano refutou o desconhecimento da rede assistencial do interior e defendeu a ampliação da rede hospitalar com novas unidades temáticas. "Ele não sabe que gravidez de alto risco no Cariri tem UTI neonatal nos hospitais São Vicente, São Lucas e São Francisco. São 38 leitos de UTI neonatal funcionando no Cariri, com o Governo do Estado colaborando financeiramente para funcionar", comentou o candidato do PT.

Em tréplica, Ciro alegou que a assistência materna no interior depende de convênios com o setor complementar e apontou desativação de leitos na capital. "Todas as exceções que ele mencionou são privadas ou filantrópicas e estão conveniadas com o Governo Federal. O que eu estou dizendo é que a rede estadual não faz o atendimento de alto risco – nem de gestante, nem de pediatria no Hospital Regional no Cariri", rebateu Ciro.

Habitação, infraestrutura, recursos hídricos e segurança

Em relação a políticas de Moradia, os postulantes apresentaram propostas opostas para diminuir o déficit habitacional no Ceará. Elmano destacou os programas desenvolvidos em parceria com o Governo Federal. "Nós estamos fazendo 70 mil unidades habitacionais do Minha Casa, Minha Vida e de um programa que criamos, o Entrada Moradia", destacou.

Ciro contrapôs os dados apontando um expressivo número de famílias sem casa e defendeu a adoção de mutirões comunitários. "Hoje, o saldo de famílias sem moradia no Ceará são 227 mil. Eu falo de mutirão como uma política complementar porque parte importante dessas famílias precisa de regularização fundiária e de um apoio para a construção. [...] Na faixa de renda mais depauperada, o mutirão é sim uma solução importante", defendeu.

A conclusão das obras da ferrovia Transnordestina também gerou disputa direta sobre a paternidade do investimento e o ritmo dos trabalhos. Enquanto Ciro afirmou ter viabilizado a obra quando ministro, Elmano ressaltou a reativação recente do empreendimento. "Você via trabalhador na obra antes desse nosso governo? Não. Você está vendo agora 5 mil pessoas empregadas na Transnordestina desde 2023", apontou o petista.

Quanto à segurança hídrica, Elmano citou obras no Eixão das Águas e a instalação da usina de dessalinização em Fortaleza. Já Ciro alertou para os níveis do açude Castanhão. "Nós estamos com 30% só do Castanhão, 15 pontos de contaminação com esgoto lançado em natura dentro da calha do Castanhão. [...] Nós temos um colapso iminente porque não se terminou o Cinturão das Águas”, criticou Ciro.

Ao abordarem o combate ao feminicídio e a capacitação em inteligência artificial, Ciro sugeriu o botão do pânico e delegacias da mulher em cidades com mais de 60 mil habitantes, enquanto Elmano prometeu expandir as Casas da Mulher Brasileira e a Patrulha Maria da Penha.

Este conteúdo é útil para você?

Newsletter

Escolha suas newsletters favoritas e mantenha-se informado

Colunistas

Edição do Dia