Ninguém segura o velocista goleador

Confira a Coluna do Tom Barros desta sexta-feira (10)

Legenda: Mendoza está em grande fase no Ceará
Foto: Fausto Filho/CearaSC

Os jogadores velozes formam um grupo especial no futebol. O colombiano Mendoza é um deles. Incrível. Parece um Usain Bolt nas pistas de atletismo pelos estádios do mundo. É um bólido que, quando dispara, torna-se imbatível como um Emerson Fittipaldi vitorioso nas 500 Milhas de Indianápolis. Ou um Jim Clark, o escocês voador, disparado nas pistas de Fórmula 1 na década de 1960. O exagero de compará-lo a uma máquina de corrida é figura que uso para mostrar a diferença entre ele e os que tentam acompanhá-lo. Não há quem consiga segurar Mendoza, quando engata a marcha de velocidade e vai embora. Mas aqui é importante citar um detalhe: o colombiano não é só velocidade. Na atual fase, também aprimorou as finalizações. Daí os gols em abundância. Ótimo para o Ceará. Pavor para os adversários. É a melhor fase de Mendoza desde que foi contratado pelo Ceará. Mas é preciso que haja diversificação. Nada de deixar tudo concentrado nesse atleta para não facilitar a marcação adversária. Importante que os demais atletas do Ceará entrem no momento vivido por Mendoza. Se não conseguirem o acompanhar na velocidade (fato provável), que o façam na aplicação e na força de vontade. 

 

Motorzinho 

 

Nas décadas de 1950 e 1960, houve no futebol cearense um jogador que se notabilizou pela velocidade. O nome dele: Honorato. Seu apelido: Motorzinho. Foi ponta-direita do Ceará, campeão cearense de 1957. Honorato também brilhou no Usina Ceará, time da Usina Siqueira Gurgel. Honorato foi um ponta-direita muito perigoso. 

 

Velocistas 

 

Na década de 1970, o Fortaleza contratou os irmãos Delmo e Rui, que eram da equipe de atletismo do Vasco da Gama. Um equívoco. Eles eram velocistas. Delmo e Rui foram medalha de bronze no Mundial de Atletismo de Dusseldorf, na prova de revezamento 4x400. Delmo foi bronze no Pan do México em 1975. Jogavam futebol. Resolveram tentar a sorte no futebol.   

 

No Leão 

 

Delmo e Rui foram contratados pelo Fortaleza. Não deu certo, nem poderia dar. Ambos tinham pouca base de futebol. Eram amadores. Chamavam atenção apenas pela rapidez. Só isso. Logo se viu que não tinham qualidade para o futebol profissional. Voltaram para o Vasco. Delmo morreu em 2010. Rui morreu dez anos antes, no ano 2000.   

 

Europa 

 

O futebol europeu optou pelo aprimoramento na preparação física dos seus atletas. São fortes e velozes. Lá, a velocidade passou a ser um componente essencial para o êxito de qualquer equipe. Mas não gosto desse exagero de velocidade. O Barcelona e a Seleção Espanhola de 2010 ganharam o mundo, usando o tic-tac encantador, não a velocidade. Colocavam os adversários na roda. Show.  

 

Saída

 

Quando o Ceará se encontrava no seu melhor momento na atual temporada, eis que perde o seu comandante. Técnico Dorival Júnior deixa o Vozão e segue para o Flamengo. Espero que a mudança não comprometa o bom futebol que o elenco vinha desempenhando. Que o novo treinador  chegue logo e consiga pelo menos manter a mesma performance alcançada por Dorival em tão pouco tempo.