Fortaleza entre o tudo e o nada na Libertadores

Legenda: O Leão enfrenta o Alianza Lima na quarta-feira pela Libertadores
Foto: FABIANE DE PAULA

Campeão do Nordeste de 2022. Tetracampeão cearense de 2022. Quarto melhor time do Brasil em 2021. Tudo isso é o Fortaleza. Aí, na Copa Libertadores da América, o Leão é o lanterna. Algo está dando errado. Um contraste completo que terá de ser quebrado já a partir de hoje, diante do Alianza de Lima. A meu juízo, não há explicação. Na estreia, quando enfrentou o Colo-Colo do Chile no Castelão, o Fortaleza se mostrou tímido, ansioso demais. Fez um primeiro tempo muito ruim. Perdeu o jogo (1 x 2). Na segunda rodada, o Fortaleza foi derrotado pelo River Plate, no Estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires. Mais uma vez o Fortaleza jogou mal. Perdeu para o River (2 x 0). Síntese: o verdadeiro futebol do Fortaleza ainda não estreou na Copa Libertadores. Até o presente momento, não foi apresentado ao grande público sul-americano o futebol que encantou e surpreendeu os brasileiros no ano passado. Em sentido figurado, o Fortaleza ainda não estreou na Libertadores. Esteve em campo duas vezes. Jogou duas partidas. Mas não o Fortaleza vibrante, insinuante, intensivo, incisivo, ao estilo de Vojvoda. É o Fortaleza que gostaria de ver em campo esta noite.  

 

Metade 

 

A primeira fase de grupos da Copa Libertadores é rápida demais. Observem que hoje já chegará à metade da programação. Ao todo são seis rodadas. A terceira é hoje. Daí para frente será o que costumo chamar de tie-break do vôlei. Fica muito difícil reparar um erro cometido porque não haverá mais o jogo de volta. Errou, acabou. 

 

Necessidade 

 

O Fortaleza precisa vencer hoje. Se isso não acontecer, será vergonhoso ver o time passar batido, sem vitórias, nos três primeiros confrontos. Então, se houver mais um insucesso, poderá ser ampliado o complexo de inferioridade, como se o time reconhecesse suas limitações para disputar uma competição mais elevada. Restará uma imagem muito ruim, negativa mesmo. 

 

Tamanho 

 

Fizeram da Copa Libertadores da América um bicho muito maior e perigoso do que realmente é. E o Fortaleza parece ter assimilado essa ideia. Somente no segundo tempo da derrota para o Colo-Colo eu vi alguma coisa do Fortaleza de Vojvoda. No mais, um time sempre correndo atrás da bola. Nunca senhor absoluto. Hoje o Fortaleza terá de ser senhor, dono da banca.  

 

Limite 

 

Uma vitória do tricolor de aço terá o condão de mudar inteiramente o rumo das coisas. O Leão entrará na briga pela segunda vaga, visando a passar para as oitavas de final da competição. Como se sabe, nesta fase classificam-se dois. Portanto, o Fortaleza está no limite entre a esperança e a desesperança, entre o tudo e o nada. Libertadores é assim mesmo.