Fábrica fechada da Guararapes em Fortaleza doa roupas aos gaúchos

Um time de 50 pessoas trabalha na embalagem de milhares de peças de roupas para homens e mulheres, crianças e adultos, que serão enviadas em carretas neste fim de semana para Porto Alegre

Primeiro, foi o Grupo Edson Queiroz, que, de forma pioneira, criou, no Sistema Verdes Mares e na fábrica da Esmaltec, postos de coleta de doações para a população do Rio Grande do Sul castigada pelas inundações; depois, vieram Edson Brok e sua Tropical Nordeste Agrícola, com fazenda de produção na Chapada do Apodi, que doaram 25 toneladas de banana nanica; em seguida, chegou a M. Dias Branco, que seguindo a mesma trilha, doou 47 toneladas de alimentos – massas, biscoitos e bolachas – que estão sendo distribuídas entre as centenas de milhares de vítimas das enchentes no território gaúcho; posteriormente, Cristiano Maia e sua Samaria Rações juntaram-se a esse esforço e  enviaram um caminhão-baú com 14 toneladas de rações para cães e gatos resgatados das áreas gaúchas inundadas.
 
Ontem, um empresário da indústria metalúrgica teve uma agradável surpresa ao visitar as instalações da antiga e desativada fábrica de confecções do Grupo Guararapes, na Avenida Sargento Hermínio, no bairro de Antônio Bezerra. 

Ele viu cerca de 50 pessoas embalando, em centenas de caixas de papelão, roupas masculinas e femininas para crianças, jovens e adultos – estoques de produtos fora de linha da fábrica – que, neste fim de semana, serão enviadas em grandes carretas para Porto Alegre.

Desde a última segunda-feira, esse time de pessoas trabalha na retirada das etiquetas que contêm a numeração e o preço de cada peça de roupa. Após esse trabalho, e depois de embaladas, as mercadorias serão embarcadas nos caminhões que, em comboio, viajarão até o Rio Grande do Sul em mais uma campanha humanitária, muito própria do povo brasileiro.

Segundo a mesma fonte, as instalações da antiga unidade fabril da Guararapes em Antônio Bezerra estão sendo vendidas. Metade da área de 150 mil m² ocupada pela indústria já foi negociada. A outra metade está à venda por preço que não pode ser revelado.
 
O importante desta informação é o espírito de solidariedade que se manifesta entre o empresariado nordestino – o Grupo Guararapes, controlador da rede de lojas Riachuelo, tem seu parque industrial em Natal, no Rio Grande do Norte, terra de nascimento do seu fundador, Nevaldo Rocha, cujo filho Flávio comanda hoje a companhia. 
 
O Ceará e o Rio Grande do Norte estão a 5 mil quilômetros de distância do Rio Grande do Sul. Cearenses, potiguares e gaúchos habitam estados situados em regiões de hábitos, costumes, sotaque, clima e topografia diferentes. Os sulistas são – do ponto de vista econômico e social – mais ricos e mais desenvolvidos do que os nordestinos. Neste momento, porém, eles estão ameaçados de perder tudo por causa de um extraordinário desastre provocado pela natureza. E quem os pode salvar dessa hecatombe? A solidariedade de todo o povo brasileiro, de todas as regiões do país, incluindo o Nordeste. Essa solidariedade observa-se agora no Brasil inteiro. 

Ontem, a Comunidade Católica Um Novo Caminho, instalada na Aldeota, em Fortaleza, e dedicada à evangelização de jovens e de suas famílias, ultimava a coleta e a embalagem de milhares de agasalhos, roupas e calçados que, doados pela caridade cristã, serão enviados no fim de semana para os gaúchos flagelados pelas inundações. Várias outras comunidades cristãs movimentam-se no mesmo sentido em todo o Ceará.
 
“Ninguém ficará mais pobre porque doou o que tinha ou o que sobrava em casa. Mas com certeza todos ficarão mais ricos de amor ao próximo com esse simples gesto de doação. Isto faz bem ao coração e ao espírito, isto rejuvenesce, isto nos faz pessoas melhores e mais humanas, isto nos enriquece”, como disse a empresária e fazendeira Rita Granjeiro, dona da Fazenda Granjeiro, que produz coco e feijão verdes durante o ano inteiro. Ela e seu marido Fernando estão engajados em uma campanha que mobiliza amigos e parentes na arrecadação de ajuda para os brasileiros do Rio Grande do Sul.

Se este espírito solidário que mobiliza e une os brasileiros neste momento fosse permanentemente acendrado, este país e seu governo, seus políticos, seus juízes e sua gente seríamos uma nação parecida com as nórdicas. Mas, quem sabe, um dia chegaremos lá.