'Aves de Rapina' estreia hoje (6) e traz roteiro no qual força feminina é o grande destaque

Filme novo da DC traz Arlequina e outras anti-heroínas clássicas das histórias em quadrinhos

Como privilegiar vilões na telona e, ainda assim, fazer com que a audiência torça pelos mesmos? Essa foi a pergunta feita pela DC Comics em 2016, em meio à produção e ao lançamento do longa 'Esquadrão Suicida'.

Se, na época, a resposta não foi tão positiva - basta procurar a série de críticas recebidas em relação ao filme -, agora, o estúdio parece ter encontrado um caminho mais preciso ou até menos complicado com "Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa", lançado nesta quinta-feira (6) nos cinemas do Brasil e do mundo. Com direção de Cathy Yan, o filme traz Margot Robbie na pele da Arlequina novamente, além das personagens Canário Negro (Jurnee Smolett-Bell), Caçadora (Mary Elizabeth Winstead) e a policial Renee Montoya (Rosie Perez).

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De volta às telas, a protagonista não é nada desconhecida para os fãs de quadrinhos. Agora, mesmo com o destaque de ser a grande estrela do filme, ela divide a atenção com outras figuras bastante conhecidas pelos que acompanham a DC e, juntas, elas formam o time de peso do novo filme da companhia.

O contexto para apresentar a história é simples: Harley Quinn, como é chamada na versão em inglês, vê o relacionamento com o Coringa, príncipe do Crime e um dos vilões épicos das revistas, ser encerrado. Abandonada, ela resolve abrir uma nova página da vida e é exatamente nesse ponto onde se enxerga no alvo do Máscara Negra, além de diversas pessoas perigosas em Gotham City.

No meio disso, também acaba na busca por um objeto valioso e esbarra no caminho da pequena Cassandra Cain (Ella Jay Basco), que movimenta os vilões.

Aposta

Ainda que essa narrativa pareça fácil de ser contada, cabe citar de cara um dos erros cruciais da película. Disposta a apresentar a trama em um ritmo frenético, quase como uma retratação dos pensamentos ininterruptos da personagem principal, "Aves de Rapina" ganha um começo truncado, no qual o telespectador é imerso em uma grande quantidade de informações sem nem ao menos ser preparado para tal volume.

Arlequina é inquieta, tem um fôlego interminável e dá esse tom nos primeiros minutos em cena. Mostrada como a grande narradora, perpassa a história cheia de tiradas, mas também prejudica o andamento da identificação com o espectador logo nos primeiros minutos.

No fim das contas, essa parece ser a aposta menos eficaz do longa proposto por Yan. A sensação de início é de estar perdido em meio aos acontecimentos vividos pelos personagens. Nessa onda, o ritmo se desacelera aos poucos, quase como uma forma de se redimir com quem assiste.

Força feminina

É nas mulheres que se encontra a grande questão de todo o filme. Por trás da fase de libertação da Arlequina, também podemos ver como nascem algumas das principais anti-heroínas dos quadrinhos.

Como constituem um dos grandes trunfos da história, elas assumem o papel de levar a narrativa entre as cenas de luta, algumas vezes descoordenadas, takes mais cômicos e até mesmo mais dramáticos.

Vale ressaltar, inclusive, a qualidade de cada uma delas. Margot Robbie está completamente absorvida pela persona de Arlequina. Os trejeitos, risada descontrolada, pulos desajeitados e até mesmo o figurino muito bem portado por ela são alguns dos destaques da atuação.

Verdade que Mary Elizabeth Winstead aparece bem menos que as outras em tela. Ainda assim, consegue trazer a raiva latente na personalidade da Caçadora e também causa risadas em alguns momentos.

Enquanto isso, Jurnee Smolett-Bell brilha na pele da Canário e protagoniza cenas tão intensas como as de Arlequina quando o assunto é, literalmente, quebrar os homens do filme.

Não poderia deixar de citar Rosie Perez e Ella Jay Basco. A primeira é perfeita na hora de demonstrar as frustrações como policial. Já a segunda consegue conquistar o público pelas atitudes ardilosas e engraçadas.

O balanço, em geral, é bastante positivo. Mesmo que não seja uma grande obra-prima do gênero, Aves de Rapina entrega o que se propõe. Mulheres poderosas, tiradas cômicas encaixadas em momentos certos e o produto perfeito para exaltar Arlequina.