Investido deste fugaz e falso “espírito patriótico” que o acomete de quatro em quatro anos, mais uma vez o país parará, a partir da próxima quinta-feira, para acompanhar as partidas da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Nas últimas semanas a população acompanhou ansiosamente o anúncio dos nomes dos 26 jogadores que disputarão a competição. E, em especial, a confirmação de Neymar Júnior entre aqueles.
Criou-se um poderoso lobby midiático em prol da convocação daquele que, nos últimos tempos, para que sejamos francos, de há muito não tem correspondido às expectativas nem mesmo na equipe onde atua hoje, o Santos Futebol Clube. Pressionado pelo tal lobby e, sabe-se lá, por algumas “forças ocultas”, o técnico italiano Carlo Ancelotti terminou por capitular e, enfim, incluir Neymar entre os convocados. Cremos que, tendo que escolher entre a cruz e a caldeirinha, como diz o ditado popular, Ancelotti atendeu aos interesses daqueles grupos. Na nossa avaliação, se o Brasil não voltar com o sexto título de campeão, o técnico terá lavado suas mãos, atendendo aos apelos insistentes e isentando-se de culpa sob o aspecto da escolha de Neymar.
Em caso de fracasso, ele terá jogado sua quarta e última Copa, repetindo os três fracassos anteriores com sua presença em campo, o que não será nenhuma novidade. E, em caso de sucesso, muitos considerarão que terá sido fundamental a presença daquele jogador para o êxito da Canarinha. Ao nosso ver, pois, Ancelotti, após tanto suspense, foi inteligente e estrategista na sua decisão.
Enfim, o cenário do país já é outro, na iminência da vigésima terceira Copa do Mundo. A expectativa geral e a euforia de muitos toma conta das ruas e das cidades brasileiras, muitas delas, já a estas alturas, enfeitadas com bandeiras nacionais, fitas verde-amarelas e pinturas no asfalto de muitas vias com temática alusiva ao torneio futebolístico. Os estabelecimentos comerciais, como lojas de eletrodomésticos, e os restaurantes têm instalado decorações atraentes para os clientes desejosos por adquirir televisores de melhor qualidade, no caso dos primeiros, ou para os torcedores que pretendem vibrar pela seleção reunidos em família ou com os amigos, em animados encontros, nos horários das partidas.
Coincidência ou não, registram-se agora 24 anos de distância entre a conquista do quinto título da Canarinha, em 2002, e o corrente ano, como, de 1970 a 1994, também decorreram outros 24 anos entre o tri e o tetra. Conquistaremos nosso hexa em 2026? A depender da atual mentalidade dos jogadores brasileiros, que há muito tempo deixaram de priorizar o verdadeiro “amor à camisa” do passado pelos salários milionários que auferem mensalmente em clubes nacionais ou europeus, temos nossas dúvidas.
Não é puro pessimismo, mas constatação real. De qualquer forma, torçamos e acreditemos nessa possibilidade. É a renovação de nossas esperanças no futebol, este esporte que nos mobiliza e emociona.
Avante, Brasil!