Os norte-americanos Robert E. Hall e Michael Woodford ganharam, nesta segunda-feira (12), o Prêmio Nobel de Economia por seus trabalhos sobre como a observação do comportamento de empresas e famílias pode ajudar a adotar medidas eficazes para estabilizar a economia.
Eles foram agraciados por suas contribuições "pelos fundamentos microeconômicos da estabilização macroeconômica". O anúncio dos vencedores foi feito pela Academia Real Sueca de Ciências.
"Os trabalhos dos premiados nos deixaram uma base teórica sólida para os modelos utilizados hoje em dia por bancos centrais e governos de todo o mundo. Graças a esses modelos, estamos mais bem equipados para enfrentar impactos econômicos, como crises energéticas ou mudanças repentinas no nível de consumo das famílias", anunciou John Hassler, presidente do comitê do Prêmio de Ciências Econômicas em memória de Alfred Nobel.
O júri destacou que: "Em vez de basear os modelos na relação estatística entre variáveis macroeconômicas como inflação, produção e consumo, eles escolheram construí-los sobre uma base microeconômica".
Dessa forma, eles estudaram como o comportamento das famílias e das empresas, com suas ações e preferências individuais, impacta o conjunto da economia.
"Com base nesses modelos, medidas fiscais e monetárias adotadas no momento certo podem atenuar as oscilações da atividade econômica", destacou o júri em um comunicado.
Durante o choque do petróleo da década de 1970, os modelos keynesianos, usados há décadas para determinar como e quando aplicar medidas para enfrentar recessões e outras oscilações econômicas, mostraram-se ineficazes.
Diante desse cenário, Hall e Woodford optaram por desenvolver novas ferramentas de estudo para entender quais seriam as medidas mais eficazes.
Economistas celebram honraria
"É uma honra imensa. É uma surpresa, mas estou realmente feliz", disse, em uma primeira reação, Michael Woodford.
Robert Hall, de 83 anos, já havia considerado em 1978 que, se as famílias gastam antecipando o que ganharão no futuro, qualquer variação em seu padrão de consumo dependerá de informações novas e imprevisíveis.
"Ao compreender o efeito da antecipação nas decisões de consumo, Hall resolveu um problema que intrigava os pesquisadores há muito tempo", explicou o júri.
O Prêmio Nobel, que consiste em um diploma e um cheque de 12 milhões de coroas suecas (pouco mais de um milhão de dólares ou R$ 4,9 milhões), será entregue no dia 10 de dezembro.
A temporada Nobel
O prêmio de Economia é o único que não consta entre os cinco originalmente criados com base no testamento do cientista sueco Alfred Nobel, falecido em 1896.
O prêmio de Economia encerra a temporada 2026 dos Nobel, que começou há uma semana com o prêmio de Medicina para o americano Karl Deisseroth e os alemães Peter Hegemann e Georg Nagel.
Em Física, o agraciado foi o belga Francis Halzen, e em Química, o francês Henri Kagan e o japonês Kenso Soai.
O prêmio de Literatura foi para a canadense Anne Carson, e o mais aguardado, o da Paz, para a jurista sul-africana e defensora da justiça internacional Navi Pillay.