Horizonte prevê injeção de R$ 19 milhões por ano com planta automotiva do Ceará

A estimativa considera a folha salarial dos trabalhadores locais.

Escrito por Paloma Vargas paloma.vargas@svm.com.br
01 de Agosto de 2026 - 14:00
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Legenda: Planta automotiva já monta dois modelos da General Motors, com previsão de um terceiro até o final do ano e, ainda, projeção de início de dois modelos da MG.
Foto: Thiago Gadelha.

O município de Horizonte, na Região Metropolitana de Fortaleza, estima uma injeção de R$ 19 milhões por ano no cenário em que a Planta Automotiva do Ceará (Pace) alcance os 9 mil funcionários. A informação é do secretário de Desenvolvimento Econômico do município, Urbano Costa Lima.

Para a estimativa, o gestor considerou a folha salarial dessa força de trabalho projetadaO polo foi instalado em dezembro de 2025, e a operação conta hoje com 112 colaboradores diretos e 187 indiretos, além de quatro estagiários, conforme dados da Comexport (idealizadora e gestora da planta).

Segundo a empresa, cerca de 80% dos trabalhadores são moradores do município. Urbano acredita que o polo também deve alavancar o Produto Interno Bruto (PIB) de Horizonte, hoje o 7º maior do Ceará, avaliado em R$ 2,96 bilhões.

"A expectativa é grande em função das oportunidades criadas pelo projeto da Pace e a perspectiva de crescimento de outras indústrias e empresas comerciais e de serviços no município", afirma o secretário. 

Projeção para a RMF e atração de marcas globais

Para o pesquisador do FGV Ibre e professor da Pós-Graduação em Economia da UFC, João Mário de França, o empreendimento possui capacidade para transformar a estrutura econômica local e regional.

"Esse polo automotivo deve atrair grandes investimentos, expandir a matriz industrial, aumentar o número de empregos qualificados e gerar efeitos indiretos, como alavancar o mercado imobiliário", avalia.

Ele aponta que o modelo adotado em Horizonte amplia as perspectivas para os próximos anos, podendo projetar o Ceará em destaque no cenário internacional de mobilidade.

A ideia de ser um polo automotivo multimarcas tem o possível efeito de atrair outros fabricantes globais para o município. Isso vai impactar toda a cadeia de fornecedores e prestadores de serviços da Região Metropolitana de Fortaleza com potencial de maior número de empregos formais e também informais. Horizonte já é hoje uma das cidades mais industrializadas do Estado e, com esse novo polo, pode avançar mais ainda nesse ranking".
João Mário França
Economista, professor e pesquisador

Ex-funcionário da Troller volta a atuar no local

Para os trabalhadores da região, a chegada da fábrica representa uma oportunidade de requalificação profissional e o reencontro com a tradição industrial da Cidade, ocupando o espaço deixado pela antiga planta da Troller.

É o caso de Elton Teodoro, de 43 anos, que atuou por 11 anos na antiga montadora e hoje integra o quadro da nova empresa.

"Para mim, é motivo de satisfação e orgulho voltar para um prédio que tanto conheço e para um ramo ainda mais tecnológico", relata o funcionário.

A transição para a mobilidade elétrica também tem formado novos profissionais para a indústria cearense. Mércia Nogueira, de 24 anos, que atua no setor de Planejamento e Controle de Produção (PCP), destaca o processo de aprendizado.

"É um orgulho muito grande fazer parte do time aqui da Pace. Antes, a antiga empresa era muito renomada, todo mundo falava muito bem. Em relação a carro, não entendia muito, principalmente elétrico, mas já aprendi muita coisa. A gente consegue aprender um pouco mais todo dia", destaca.

Efeito na cadeia produtiva, consumo e infraestrutura

A presença da fábrica ultrapassa os limites da linha de montagem e já movimenta fornecedores de produtos e serviços em Horizonte, chamando a atenção da comunidade local.

"A Pace gerou muita oportunidade, não só de trabalho, mas também de fornecedor local aqui. Muita gente de Horizonte que tem negócio técnico ou comercial já fornece muita coisa aqui", observa Mércia.

A moradora acrescenta ainda a percepção sobre o ritmo da cidade. "Com a fábrica, a cidade cresce, aumenta a população,a economia, a a infraestrutura", lista.

O aquecimento econômico do município também é destacado por Elton Teodoro. "Além de mais circulação de pessoas, mais pessoas perguntando como que faz para entrar aqui na Pace, o movimento fica muito maior com relação a essa empresa nova aqui em Horizonte", aponta.

Sob a ótica macroeconômica, o economista João Mário de França explica que esse dinamismo no comércio e serviços é impulsionado pelo perfil das vagas oferecidas e pela renda gerada.

"No quesito consumo, ele será influenciado pelo aumento de emprego e renda no município, já que uma das sinalizações desse polo é absorver mão de obra local. Por outro lado, a infraestrutura do município — abastecimento de água, saneamento, energia, entre outros — precisará ser melhorada, bem como a oferta de habitações, já que empreendimentos como esse atraem novos moradores e empresas fornecedoras. Já se observa, inclusive, aumento da demanda e subida de preços em áreas próximas do complexo", detalha França.

Desafios de qualificação e o legado para a região

Para amparar essa expansão e preparar a cidade para o aumento da demanda, a prefeitura instituiu o Programa de Redesenvolvimento Industrial de Horizonte (Progredih).

Segundo Urbano Costa Lima, o objetivo da medida é "alavancar o desenvolvimento econômico e social do município, através da atração de investimentos, geração de emprego e renda".

O município também formaliza parcerias com instituições como Sesi/Senai e o Instituto Federal do Ceará (IFCE) para a qualificação de mão de obra local.

Essa articulação entre poder público e entidades de ensino é vista pelo economista como essencial para absorver as novas tecnologias do setor automotivo.

"Nesse tipo de atividade, além da forte automação que é natural, os empregos gerados são mais especializados, o que vai necessitar que o poder público municipal estruture de maneira adequada programas para qualificação profissional dos interessados nessas vagas", analisa.

Ao projetar o futuro do município, o professor da UFC reforça que o sucesso do empreendimento consolida um novo patamar socioeconômico para a população cearense.

"Se de fato tudo ocorrer como o planejado, o município se tornará um importante polo de tecnologia e mobilidade elétrica na região Nordeste. E a população se beneficiará com capacitação profissional, crescimento de empregos mais qualificados e da renda gerada. Além disso, tem também outra externalidade positiva que será a melhora necessária de toda a infraestrutura local do município para absorver essas novas fábricas que serão atraídas e também os novos moradores", conclui João Mário de França.

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