A rede Drogasil, que conta com mais de 100 lojas no Ceará, já adota a escala 5x2 em todas as unidades do Brasil desde janeiro de 2026. A implementação do novo modelo teve início em meados de 2025 e foi implementada de forma gradual.
Em paralelo, outras redes de farmácias estudam medidas para se adaptarem ao fim da escala 6x1, como redistribuição das equipes e investimentos em tecnologia e automação.
No Estado, o setor farmacêutico avalia a reorganização das escalas de trabalho e a utilização de horas extras, dentro dos limites da legislação. Com isso, existe a possibilidade de novas contratações de profissionais.
Aprovada pelo Senado Federal na última quarta-feira (14) e promulgada na sexta-feira (16), a Emenda Constitucional 141 garante dois dias de repouso semanal remunerados e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas.
O que o empresariado cearense está avaliando
Segundo o presidente executivo e jurídico do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Estado do Ceará (Sincofarma-CE), Fábio Timbó, a prioridade é manter os horários de funcionamento dos estabelecimentos.
O sindicato pretende discutir as alternativas com representantes do setor e com sindicatos, nos próximos 30 dias, para estudar as alternativas.
“A farmácia não pode funcionar sem o farmacêutico. [...] Nesse momento, estamos absorvendo e analisando o impacto efetivo para que nossos estalecimentos não tenham redução de horário”, afirma.
O presidente do Grupo Santa Branca e da Câmara de Dirigentes Lojistas de Fortaleza (CDL Fortaleza), Mauricio Filizola, também destaca que, diferentemente de outras atividades, as farmácias não podem concentrar o atendimento em determinados dias da semana, uma vez que prestam um serviço essencial à população.
“Por isso, estamos considerando estudos de dimensionamento das equipes, reorganização de turnos, análise dos horários de maior movimento e possíveis ajustes operacionais que permitam preservar a qualidade do atendimento e assegurar o descanso dos colaboradores”, afirma.
A Rede Santa Branca, que tem 21 lojas próprias e 3 franquias no Ceará, está avaliando os possíveis impactos da redução da jornada sobre a operação e estudando possíveis medidas para se adaptar à mudança. Entre elas estão:
- Redistribuição das equipes conforme a demanda de cada loja;
- Adoção de escalas alternativas dentro das regras legais;
- Eventuais contratações complementares;
- Investimentos em tecnologia e automação para aumentar a produtividade e reduzir tarefas operacionais.
O Diário do Nordeste também buscou a Pague Menos para essa reportagem, mas a rede optou por não se posicionar.
Impacto econômico para as empresas
Mas Filizola aponta que é preciso avaliar o impacto financeiro dessas mudanças. Ele argumenta que uma redução de 44 para 40 horas semanais, sem alteração salarial, representa um aumento de aproximadamente 10% no custo da hora contratada para quem utiliza integralmente a jornada atual.
“Isso não significa que o custo total da folha aumentará automaticamente nessa proporção, mas representa uma pressão importante, sobretudo quando houver necessidade de novas contratações”, afirma.
O presidente do Grupo Santa Branca acrescenta que, no setor farmacêutico, "a preocupação é ainda maior para as micro e pequenas empresas, que possuem equipes reduzidas e menor capacidade de absorver custos adicionais".
“Defendemos que a transição seja acompanhada de diálogo, negociação coletiva e medidas que contribuam para reduzir o custo da contratação formal, especialmente para os pequenos negócios.
O Sincofarma-CE avalia, no entanto, que a redução da jornada pode desestimular a abertura de farmácias 24 horas. Timbó também aponta que os estabelecimentos de pequeno porte devem enfrentar mais dificuldades de adaptação do que as grandes redes.