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Produtor abandona plantio de arroz, processa 2 milhões de litros de leite e mira ordenha com IA

Toda a produção é vendida para a Alvoar Lácteos, dona de marcas Betânia e Camponesa.

Escrito por Luciano Rodrigues luciano.rodrigues@svm.com.br
24 de Junho de 2026 - 06:00
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Legenda: Vacas-leiteiras de Moisés Maia ficam em galpão coberto e com ventiladores.
Foto: Ítalo Ramon/Octa/Divulgação.

A Fazenda São Francisco, em Limoeiro do Norte, no Vale do Jaguaribe, pertence à família do produtor rural Moisés Maia desde os tempos do Brasil Império.

Após o solo da propriedade receber os mais variados plantios agrícolas, hoje é a vez de vacas-leiteiras ocuparem o espaço, dando milhões de litros de leite por ano e adotando o uso de tecnologia de ponta para a ordenha.

Em entrevista ao Diário do Nordeste, Moisés Maia explica como funciona o rebanho de gado na fazenda, iniciado no começo dos anos 2000 em substituição às lavouras de arroz.

"Vi no leite uma atividade com muito futuro. É um alimento essencial, e nas pesquisas de mercado, era algo que seria muito precisado. Acho que fiz a escolha certa no momento certo, leite foi e sempre será um bom negócio. Criei meus filhos às custas do que produzo, e não tenho outra renda a não ser leite", observa o produtor.

Sem contato humano e IA para ordenha das vacas

O gado de Moisés é criado em área delimitada, onde fica boa parte do dia em uma área coberta do sol e da chuva, com ventiladores para conforto térmico, alimentação e hidratação balanceadas.

"Conforto térmico ajuda demais. A ordenheira é emborrachada, e a vaca relaxa na hora de soltar o leite. Aumentou dois litros de leite por vaca só com o emborrachamento", afirma.

O rebanho do produtor rural tem aproximadamente 200 animais, produzindo 28 litros de leite diariamente, em volume pode ser maior em algumas épocas do ano.

Com isso, a Fazenda São Francisco pode ultrapassar os 2 milhões de litros de leite produzidos anualmente. Segundo Moisés, toda a produção é vendida para a Alvoar Lácteos, dona de marcas de laticínios como Betânia e Camponesa e com sede em Morada Nova, também no Vale do Jaguaribe cearense.

A produção é "toda familiar", como frisa o produtor rural. Além dele, trabalham na propriedade a esposa, os dois filhos e uma das noras.

Com as novas tecnologias disponíveis, o objetivo de Moisés é utilizar softwares com inteligência artificial (IA) para dinamizar a produção.

Eles passariam a programar as ordenhas nas vacas, que atualmente ocorrem diariamente às 5 horas e às 16 horas. O alto custo ainda é entrave para Moisés, mas o produtor rural avalia que a tecnologia pode integrar em breve a produção.

Hoje se produz leite sem contato humano, nem o próprio ambiente tem mais contato com o leite. A ordenheira tem uma vedação no peito da vaca e vai direto para o tanque de expansão. O leite é conservado a 2°C, com controle e higienização. Não sou contra quem tira leite na mão, mas as inovações estão chegando para ajudar".
Moisés Maia
Produtor de leite em Limoeiro do Norte

Moisés foi umo dos participantes do Coalizão Agro, em Limoeiro do Norte, evento que discute o agronegócio no Ceará. A cadeia leiteira foi um dos destaques pelo potencial registrado na região.

Pecuária de corte precisa ser aliada da pecuária leiteira

O Ceará é, atualmente, um dos maiores produtores de leite do Brasil, com mais de 1 bilhão de litros por ano. Com boa parte do gado no Estado dedicado para a vocação leiteira, volta a crescer a pecuária de corte.

Em Iguatu, no Centro-Sul cearense, a Masterboi vai instalar um frigorífico industrial, o que deve estimular a cadeia produtiva.

Moisés Maia é produtor rural há quase 50 anos em Limoeiro do Norte.
Legenda: Moisés Maia é produtor rural há quase 50 anos em Limoeiro do Norte.
Foto: ítalo Ramon/Octa/Divulgação.

Para Moisés Maia, é um sinal positivo para o desenvolvimento das duas cadeias, ainda que mantenha o posicionamento de manter o rebanho de gado focado na pecuária leiteira.

"O pecuarista de leite e o de corte têm que andar de mãos dadas. Uma andorinha só nunca fez verão, temos que criar um grupo para ter forças", analisa o produtor rural.

*O repórter viajou a Limoeiro do Norte a convite do Coalizão Agro 2026.

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