A rendeira Vilma Souza, natural de Itapipoca, no Vale do Curu, trabalha há 30 anos com renda de bilro, expressão artesanal reconhecida como um dos símbolos culturais do Ceará e que movimenta a economia de muitas mulheres.
Transmitida entre gerações, a prática enfrenta resistência dos mais jovens, cenário que Vilma tenta reverter. A artesã levou as peças feitas à mão para a 70ª Exposição Agropecuária e Industrial do Ceará (Expoece), prática que repete em diversas feiras do Nordeste para divulgar a tradição da renda cearense.
A técnica consiste no cruzamento e entrelaçamento manual de fios de linha sobre uma almofada, guiados por pequenas peças de madeira chamadas bilros. O talento para o ofício foi descoberto a partir da curiosidade de observar outros artesãos.
"Eu via pessoas próximas fazendo esse artesanato, até que comecei a treinar e aprendi. Hoje, ensino para quem queira aprender também", detalha Vilma.
Apesar do conhecimento e da experiência, Vilma tem dificuldade para encontrar pessoas interessadas em seguir no ramo. Segundo ela, a falta de interesse das novas gerações por atividades manuais pode levar a renda de bilro a desaparecer.
"A geração mais antiga, uma hora, vai acabar, e não tenho visto muitos jovens querendo aprender essa arte. É importante para nós repassar esse estilo de renda, porque nos foi ensinado de muito tempo atrás e faz parte de nossa cultura", afirma.
Vilma diz que a 70ª edição da Expoece é uma grande oportunidade para ajudar a associação que integra, com outros 50 artesãos. Esta é a primeira vez que participa do evento e ela espera bom retorno do público.
"A renda de bilro não vai sumir, tenho fé nisso. É um trabalho muito manual, demorado e trabalhoso. Mas fazemos com amor e isso é o que importa", enfatiza.
Cosmético sustentável feito no Ceará
Participante da Expoece há cinco anos, Ingrid Barbosa criou a marca "Pele de Marfim" para oferecer cosméticos diferentes dos encontrados nos supermercados.
Ela percebeu que muitos consumidores tinham dificuldade de se adaptar a algumas texturas e cheiros e não reagiam bem a certos insumos. Desde então, passou a desenvolver, com a mãe, massoterapeuta, itens com materiais biodegradáveis para atender a essa demanda.
O primeiro produto foi um hidratante à base de sarrapitaia, mangue e jabuticaba. Segundo Ingrid, essas frutas absorvem as impurezas com rapidez e não se desgastam com o calor e a umidade característicos do Ceará.
Em seguida, vieram loções, escalda-pés, sabonetes e desodorantes em barra, sem aroma e pensados para durar até três meses.
"Um dos nossos maiores sucessos é o hidratante natural multiuso. Ele serve como blush, sombra, contorno, iluminador e pode ser usado por quem tem dermatite", diz.
As embalagens também são um diferencial do catálogo. Os rótulos são feitos de celofane biodegradável e reciclável, geralmente transparentes ou brancos, para entrar mais rápido no processo de reciclagem.
Ingrid observou aumento no número de visitantes em busca de itens naturais desde que começou a participar da Expoece. Por isso, a cada edição, busca oferecer mais opções ao consumidor e espera bom retorno no evento de 70 anos.
"O público tem boa aceitação por causa das texturas leves, da absorção rápida e da riqueza de nutrientes. Como temos muito sol, a maioria dos nossos produtos tem vitamina E, porque é um antioxidante. Nos preocupamos com a quantidade de sol que a pele absorve", detalha Ingrid.
Expoece lota pavilhões com bovinos
O presidente da Associação dos Criadores do Ceará (ACC), Braga Almeida, avalia que a 70ª Expoece chega a uma edição especial, com crescimento no número de expositores e ocupação total dos espaços disponíveis.
Segundo ele, todos os pavilhões estão lotados, com capacidade para receber 550 bovinos de exposição, além de animais de outras espécies, como caprinos e equinos.
Um desses expositores é Regis Braga, dono de um rebanho com 27 espécimes da raça Guzerá Leiteiro. Segundo ele, o Ceará é um dos principais exportadores do gado para outros estados e países, como Colômbia, Senegal e Nepal.
"Há muitos anos que o zebuíno leiteiro é a base do da pecuária brasileira. Por isso, buscando sempre manter os animais mais produticos da fazenda e, por consequência, gerando uma renda superior aos concorrentes", destaca.
Regis atribui o sucesso da pecuária no Estado aos investimentos no setor, que permite o aprimoramento dos rebanhos para aumentar a produtividade.
"O Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará está subindo acima do nacional. Isso muito é advindo do do agronegócio. E, por consequência, nos dá força para a gente continuar investindo e exportando nossa genética mundo afora", reforça.
70ª Exposição Agropecuária e Industrial do Ceará
A Associação dos Criadores do Ceará (ACC), responsável pela Expoece, projeta movimentação financeira de R$ 30 milhões em toda a feira, 50% acima dos R$ 20 milhões negociados em 2025.
O número de expositores e empresas passou de cerca de 180, no ano passado, para mais de 360.
A edição de 2026 tem maior diversidade de setores. Além de empresas do agronegócio e de máquinas, participam representantes dos segmentos de veículos, energia solar, construção, varejo, eletrodomésticos e alimentos.
São esperadas mais de 300 mil pessoas nos nove dias de evento.
Expoece - 70ª edição
Quando: de 31 de outubro, a partir de 7h, a 8 de novembro, até as 22h
Local: Parque de Exposições Governador César Cals - São Gerardo