Palácio da Abolição vai ser reinaugurado no dia 25

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
11 de Março de 2011 - 02:52
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Legenda: História preservada: reforma do prédio já está em fase de conclusão. Receberam obras a capela, a subestação de energia e a passarela e foram construídas duas portarias
Foto: FOTO: NATINHO RODRIGUES
O primeiro pavimento irá abrigar o gabinete de Cid Gomes, do chefe da Casa Civil e do chefe de gabinete do governador

Nas últimas semanas que antecedem a comemoração do Dia da Libertação dos Escravos, no Ceará, o Governo do Estado faz os ajustes finais para inaugurar oficialmente o Palácio da Abolição como sua sede. Após 25 anos sem abrigar o chefe do Executivo estadual, o prédio se tornará novamente palco das principais decisões tomadas no Ceará, abrigando, além do governador, seu chefe de gabinete e o chefe da Casa Civil.

Inaugurado inicialmente em 1970, o Palácio da Abolição recebeu o nome em referência ao pioneirismo cearense na libertação dos escravos, permanecendo como sede do Executivo até 1986. Naquele, o então governador Tasso Jereissati decidiu transferir a administração estadual para o Cambeba. Nas últimas décadas, ocorreu um lento processo de degradação do Palácio, que não recebeu reformas e passou a atrair cada vez menos visitantes.

Através da reforma por que tem passado, desde novembro de 2009, o Palácio da Abolição deve recuperar não apenas sua estrutura física, mas também se tornar protagonista de novos episódios da política cearense, restaurando poder simbólico diante das transformações observados no Estado.

De todo modo, o Palácio que poderá apresentar algumas diferenças do edifício que abrigava o líder do Executivo até 1986. De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria do Turismo (Setur), a reforma do prédio prevê a manutenção, no espaço, de galeria de arte, auditório com mais de 130 lugares e salão de eventos voltado para a realização de eventos culturais e artísticos. Além disso, foi construída, no interior do Palácio, uma biblioteca.

Conforme o projeto, o primeiro pavimento do Palácio irá abrigar o gabinete de Cid Gomes, do secretário-chefe da Casa Civil e do chefe de gabinete do governador. No prédio anexo, serão instalados os setores administrativos do gabinete, da Casa Civil e da Casa Militar. Todo o serviço está orçado em R$ 21 milhões.

Conforme a assessoria, estão previstas melhorias na capela do Palácio, na subestação de energia e na passarela. Também foram construídas duas portarias para o acesso da população, uma na Avenida Barão de Studart e outra na Rua Silva Paulet.

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De acordo com o professor de História da Universidade Estadual do Ceará, Erick Assis, a atitude de Cid Gomes em transferir de volta a administração estadual para o Palácio da Abolição pode ser interpretada como uma tentativa de demonstrar maior proximidade em relação à população, concedendo ao Governo uma imagem "mais simpática e interativa".

Contudo, destaca, o retorno também pode desencadear efeito negativo para o Executivo, caso a proximidade acabe gerando maior pressão por parte de setores populares. "Foi uma ação inusitada do governador. Ali existe também o risco de ocorrer desgaste", considera.

Segundo o professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Ceará Antônio Carvalho Neto, o Palácio da Abolição, projetado pelo arquiteto carioca Sérgio Bernardes, é uma das construções mais ricas, do ponto de vista arquitetônico, da Capital. Em 2004, o prédio foi tombado como patrimônio do Estado.

Na época em que foi erguido, o prédio se destacou pela presença características inovadoras, que evidenciavam a criatividade de Sérgio Bernardes.

Fique por dentro
Patrimônio histórico

O Palácio da Abolição do Governo do Estado do Ceará, situado na Avenida Barão de Studart, 505, bairro Aldeota, foi inaugurado em 4 de julho de 1970. O projeto é do arquiteto Sérgio Bernardes e os jardins de Burle Marx. Suas obras de construção foram iniciadas em 16 de novembro de 1962 em terreno desapropriado de Carlos Gracie pelo então governador Parsifal Barroso. Em 2004 o conjunto arquitetônico foi tombado pelo Patrimônio Histórico do Estado do Ceará, por ser exemplar típico do Movimento Moderno da arquitetura brasileira.

Foi a sede de despachos do governo até 1986, quando Tasso Jereissati, ao tomar posse como governador, transferiu a sede para novas instalações no Cambeba deixando o palácio como sede de alguns órgãos estaduais. Foram 24 anos sem sediar o gabinete do governador, o retorno aconteceu em 2010.

JOÃO MOURA
ESPECIAL PARA CIDADE

Edição do Dia