Mães fazem evento sobre cardiopatia congênita

O objetivo foi estimular a prevenção, ainda na gestação, para reduzir ou minimizar os tratamentos

Escrito por Carol Kossling - Repórter producaodiario@svm.com.br
13 de Junho de 2016 - 00:00 (Atualizado às 07:29)
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Legenda: A Associação de Assistência à Criança Cardiopata Pequenos Corações promoveu o 1º Dia da Conscientização, ontem, na Casa José de Alencar, com centenas de pessoas, entre pais, crianças e profissionais de saúde
Foto: Foto: Cid Barbosa

Na manhã desse domingo (12), a Associação de Assistência à Criança Cardiopata (AACC) Pequenos Corações promoveu, em Fortaleza, o 1º Dia da Conscientização da Cardiopatia Congênita, que é comemorado sempre em 12 de junho. Recém-constituída no Ceará, a organização não governamental (ONG) reuniu, na Casa José de Alencar centenas de pessoas, entre pais, crianças e profissionais de saúde, com o intuito de conscientizar e divulgar a cardiopatia congênita, que é alguma alteração na estrutura ou na função do coração. Atualmente, a má formação no coração atinge um a cada 100 bebês no País. O evento também aconteceu em outras cidades do Brasil.

Segundo a coordenadora local da entidade Pequenos Corações, Nayla Chaves, a luta da organização é para propagar a informação da cardiopatia congênita no Estado, pois o desconhecimento leva muitas crianças ao óbito. "Ter passado pela situação de ter um filho cardiopata me sensibilizou bastante e decidi ajudar outras mães na mesma situação", declara.

Para Nayla, com a divulgação da má formação, os pais têm consciência do problema e podem buscar os melhores tratamentos. "Nossa intenção é estar próximo das mães e das crianças necessitadas e acolher com conforto e carinho. Além de ajuda nas necessidades básicas, pois muitas mães utilizam a rede pública. Queremos orientar de forma geral em relação aos tratamentos", descreve. Ela ainda pretende unir força com os médicos e as instituições do Ceará.

Causa e diagnóstico precoce

O cardiologista Igor Rego, apoiador da ONG, explica que a cardiologia congênita é um problema que acontece na sétima semana de gestação, quando o coração está se desenvolvendo, e pode ocorrer uma má formação ou problema no funcionamento desenvolvendo a patologia. Alguns fatores podem contribuir para esta formação, como falta de nutrientes entre eles a vitamina ácido fólico, mas ela é multifatorial, tem várias causas.

"O maior cuidado é fazer um bom pré-natal para que se consiga perceber o quanto antes. Existem casos que podemos tratar dentro do útero e resolver 100% do problema antes do nascimento. Ou programar um parto para a criança que irá precisar de um atendimento completo ao nascer", ressalta. Em geral, os pacientes terão que ter um acompanhamento cardiológico para o resto da vida, mas poderão levar uma vida normal ou próxima do normal complementa o médico.

Como problemas em relação ao tema, o cardiologista enumera o desconhecimento e identificação tardia; o apoio e o atendimento limitado da rede de saúde no Brasil, e no Ceará; e a não aplicação do teste do coraçãozinho ao bebê quando nasce. Trata-se de um teste simples que mede a concentração de oxigênio no sangue e pode detectar um defeito cardíaco, para que a criança inicie o tratamento o mais rápido possível.

Relatos

A gerente de vendas Nathália Reis soube da cardiopatia do filho, hoje com 2 anos e 8 meses, ainda na gestação, no pré-natal. "No exame morfológico, descobri o problema. A partir daí passei a entender o que era e nos prevenimos com toda equipe na hora do parto", conta. O caso do pequeno Paulo Roberto não era tão grave e pode esperar até os dez meses para ser submetido a uma cirurgia aqui mesmo no Estado. Hoje, Nathália brinca que o filho recebeu uma bateria extra. "Ele brinca, é super feliz, corre e estuda", diz.

Já a advogada Fernanda Landim, realizou os primeiros procedimentos em São Paulo, onde seu filho nasceu. Ela também descobriu nos exames de rotina realizados na gestação. "Graças a Deus não era das (cardiopatias congênitas) das mais graves, mas não era das mais simples", lembra-se. Fernanda procurou um hospital apropriado e, no primeiro dia de vida, o bebê foi submetido ao cateterismo, teve a válvula pulmonar aberta e recebeu um stent no coração e ficou internado na UTI por 70 dias. "Penso que, se eu não tivesse descoberto a tempo, a situação poderia ser muito pior e não estaria com o meu bebê", disse.

Dados no Brasil

Segundo a AACC Pequenos Corações, por ano, cerca de 28 mil crianças nascidas no Brasil são cardiopatas. E aproximadamente 23 mil destes bebês necessitam de atendimento diferenciado e de cirurgia cardíaca. No entanto, estima-se que 18 mil deles (78%) sequer recebem o tratamento, seja por falta de diagnóstico ou por falta de vagas na rede pública de saúde.

FIQUE POR DENTRO

Alteração pode surgir durante a gravidez

A cardiopatia é um defeito na estrutura ou função do coração, que surge nas primeiras oito semanas de gestação, quando se forma o órgão do bebê, mesmo que descoberto mais tarde. Ocorre por uma alteração no desenvolvimento embrionário da estrutura cardíaca. É considerado o defeito congênito mais comum e uma das principais causas de óbitos relacionada a malformações congênitas. Entre os sintomas mais comuns, percebe-se uma transpiração excessiva e cansaço durante as mamadas; respiração acelerada enquanto o bebê descansa; pouco apetite associado a baixo ganho de peso e irritação frequente.

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