Crimes de ódio nascem do fracasso e invisibilidade

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
20 de Janeiro de 2018 - 02:00

No Ceará, os crimes de ódio em maior evidência são os cometidos contra o público LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros). Ao todo, 30 pessoas morreram no Estado em 2017 vítimas da homotransfobia, ocupando o quarto lugar nacional nesse tipo de violência, segundo relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB), ONG de cidadania LGBT mais antiga no País.

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Para o pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV) da Universidade Federal do Ceará (UFC), Leonardo Sá, pessoas que cometem este tipo de crime são motivados pela sensação de invisibilidade e fracasso. "Em geral, as pessoas que são atraídas por esse tipo de crime, esse tipo de ódio, são pessoas que vem de situação de extrema invisibilidade, que sofrem com a falta de perspectiva, de reconhecimento, e se sentem fracassadas, encurraladas e acabam escolhendo bodes expiatórios, pessoas a quem culpar, a quem dirigir todo o sentimento negativo. Muitos se sentem frustrados, tem ódio de si mesmos e transformam isso numa violência contra os outros, contra seres imaginários que eles acham serem os responsáveis pela privação em que vivem", afirma.

Dessa forma, segundo esclarece, as vítimas acabam sendo escolhidas pela orientação sexual que diverge, ou o gênero, ou ainda os agressores se tornam racistas e xenófobos. "Depois que pessoas são capturadas por esse sentimento parece que passam a absorver como uma esponja todos esses preconceitos, tudo isso que destila ódio, mas é uma maneira de chamar atenção. Quando você se apega aquilo que a maioria dos cidadãos sabe que é errado é uma maneira de atingir, de ferir, é um grito de desespero que se manifesta de maneira violenta. O próprio indivíduo não se reconhece como humano e se você não se sente humano não é capaz de perceber o humano no outro, é uma crise muito seria".

Ainda conforme o sociólogo, a educação deve ser a questão central contra o cenário, com escolas e universidades, sejam públicas ou particulares, promovendo ambientes de discussão. "As escolas precisavam ser lugares de discussão dos problemas sociais, culturais e políticos. Só o fato de se falar em público sobre algo já temos um poder de transformação para melhor".

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