Presidente do Ferroviário convoca reunião para avaliar fim da SAF: ‘não acredito mais’

Rodger Raniery confirmou a situação em coletiva nesta segunda-feira (3)

Escrito por Alexandre Mota alexandre.mota@svm.com.br
03 de Agosto de 2026 - 14:30 (Atualizado às 15:14)
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Legenda: O Ferroviário anunciou a venda da SAF do clube em fevereiro de 2025
Foto: Brenno Rebouças / SVM

A diretoria do Ferroviário Atlético Clube convocou uma Assembleia Geral para avaliar o fim da Sociedade Anômica do Futebol (SAF) do time sob gestão da empresa MAKES. Em coletiva nesta segunda-feira (3), o presidente coral Rodger Raniery revelou que não confia mais no projeto europeu.

"De maneira bem fria e tranquila, eu digo que eu não acredito mais no projeto. Infelizmente, não deu certo. Eu confiei, acreditei, e fiz de tudo para dar certo, mas não acredito que os aportes financeiros vão se concretizar. Por conta disso, eu convoquei o Conselho, para que o Conselho convoque uma Assembleia para dizer se o Ferroviário vai permanecer com o projeto ou se opta pela descontinuidade, se continua ou se dá um ponto final. A partir do momento que tiver uma resposta, vou agir dentro do trabalho. Se a Assembleia permitir o rompimento, eu vou fazer isso sim”.
Rodger Raniery
Presidente do Ferroviário

Em fevereiro de 2025, os associados do Ferroviário votaram a favor da venda de 90% das ações do clube para o grupo MAKES, formado majoritariamente por empresários de Portugal. A proposta indicou que a SAF seria gerida pelo comitê exterior, com aporte financeiro gradual e investimentos na Vila Elzir Cabral.

Rodger Raniery, presidente do Ferroviário, e Cássio Cacau, presidente do Conselho Deliberativo, prestaram coletiva
Legenda: Rodger Raniery, presidente do Ferroviário, e Cássio Cacau, presidente do Conselho Deliberativo, prestaram coletiva
Foto: Giovanna Borges / SVM

Apesar da promessa econômica, na avaliação da atual diretoria executiva, o montante não foi repassado corretamente, o que acarretou em atraso de pagamentos de salários de elenco e funcionários. Além disso, a associação entende que esse não é o caminho positivo para a instituição.

“Não estou falando que sou contra o projeto de SAF, mas que seja uma SAF responsável, que chegue aqui e faça tudo que prometeu. Para mudar, tem de romper, e preciso da Assembleia”, declarou.

Deste modo, o pedido da Assembleia Geral foi acolhido por parte do Conselho Deliberativo, que irá promover uma reunião para avaliar a continuidade do acordo de venda da SAF. Raniery também pontuou que existe um contrato com o grupo MAKES e que há um período para regularizar o acordo.

Saiba como era a proposta de compra da SAF pelo grupo MAKES

1. Patrimônio e Uso da Vila Olímpica Elzir Cabral

O patrimônio físico do clube (Vila Olímpica Elzir Cabral) não faz parte da negociação e permanecerá sob posse do Ferroviário Atlético Clube.

No entanto, por meio de um contrato de comodato válido por 20 anos, o Ferroviário SAF terá direito de uso integral da estrutura, ficando responsável pelo pagamento das folhas salariais dos funcionários administrativos e pela manutenção do local.

O contrato de comodato não prevê pagamento de aluguel, mas tem como contrapartida investimentos em melhorias no CT de R$ 8 milhões até 2029.

2. Obrigações de Investimento no Futebol

A proposta prevê uma garantia mínima de orçamento para investimento no futebol pelos próximos 10 anos, conforme a divisão abaixo:

  • Série D → R$ 10 milhões por ano
  • Série C → R$ 15 milhões por ano
  • Série B → R$ 25 milhões por ano
  • Série A → R$ 50 milhões por ano

Com isso, os possíveis cenários de valores a serem investidos, incluíndo Equity abaixo discriminado, somariam:

  • Cenário 1 (10 anos na Série D) → R$ 113,3 milhões
  • Cenário 2 (1 ano na D e 9 anos na Série C) → R$ 158,3 milhões
  • Cenário 3 (1 ano na D, 1 ano na C e 8 anos na Série B) → R$ 238,3 milhões
  • Cenário 4 (1 ano na D, 1 ano na C, 1 ano na B e 7 anos na Série A) → R$ 413,3 milhões

3. Termos Financeiros – Aquisição e Investimentos

Valor total de “Equity” na proposta: R$ 13,3 milhões (antes era R$ 13 milhões):

  • R$ 500 mil → Entrada (30 dias após assinatura para pagamento de taxas referentes a registros da SAF)
  • R$ 1,8 milhões → Pagamento de mútuos de terceiros (antes não estava previsto este valor)
  • R$ 3 milhões → Pagamento de dívidas do clube (agora condicionado à entrada do clube em Recuperação Judicial ou uma das formas previstas no art. 13 da Lei 14.193/2021 – Lei das SAFs, a critério do clube) *
  • R$ 8 milhões → Investimentos na Vila Olímpica Elzir Cabral (agora sem previsão de aporte no primeiro ano, podendo ocorrer até 2029)

* Nova Condição: Recuperação Judicial
Para que o Ferroviário receba os R$ 3 milhões destinados ao pagamento de dívidas, será obrigatória a entrada com um pedido de Recuperação Judicial da Associação ou, conforme solicitação dos conselheiros em última reunião, e já acatada pela MAKES, por uma das formas previstas no art. 13 da Lei 14.193/2021 (Lei das SAFs), a critério do clube.

Nova Condição: Pagamento de mútuo de terceiros
A proposta agora prevê um pagamento de R$ 1,8 milhão a mútuos de fornecedores.

4. Participação do Ferroviário nas Receitas da SAF

O Clube terá as seguintes participações percentuais nas receitas da SAF:

  • 10% de todo e qualquer contrato publicitário
  • 5% do programa de sócio-torcedor (antes era 10%)
  • 25% do lucro obtido na venda de produtos oficiais pela loja oficial

5. Identidade e Símbolos do Clube

Nome, cores e símbolos do Ferroviário NÃO fazem parte da negociação e continuarão sendo regidos pelo clube associativo, conforme previsto no Estatuto Social.

6. Estrutura de Governança na SAF

O Ferroviário Atlético Clube terá representação limitada na gestão da SAF, com participação minoritária nos conselhos:

  • 1 cadeira de 5 no Conselho de Administração
  • 1 cadeira de 3 no Conselho Fiscal

A Diretoria da SAF será eleita pela maioria do Conselho de Administração.

7. Pontos de Risco bem definidos

Conforme solicitação dos conselheiros, em última reunião, e já acatadas pela MAKES, os pontos de risco serão discutidos e incluídos no documento de Acordo de Acionistas, a saber: cláusula de reversão de ações, de tal forma que permita o clube retomar o controle da SAF em caso de descumprimento das condições avençadas com regras claras, nível máximo de endividamento e prestação, e acompanhamento de contas semestrais.

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